O cenário cultural de São Paulo registra um movimento positivo com a confirmação de novas aberturas e planos de revitalização de cinemas de rua. Em um intervalo de poucos dias, duas novidades animaram os entusiastas da sétima arte na capital paulista, evidenciando uma retomada gradual desses espaços tradicionais na paisagem urbana.
Novos projetos e reaberturas na capital
O emblemático Cine Rosário, localizado no térreo do icônico edifício Martinelli, tem retorno programado para 2028 após um hiato de 70 anos inativo. Pouco antes desse anúncio, a Vila Madalena passou a contar com o Cine Tutu, um espaço intimista com 114 lugares concebido pelo arquiteto Isay Weinfeld. Outras novidades incluem o patrocínio do Nubank para o retorno do Cine Copan, com previsão de entrega para 2027.
A cena atual também engloba o Satyros Bijou, reinaugurado na Praça Roosevelt em 2022, e o Espaço Petrobras de Cinema, com estreia agendada na Rua Augusta para 2025 no mesmo ponto onde funcionou o histórico Majestic. Enquanto isso, o Multiplex Playarte Marabá e o Olido resistem como os últimos remanescentes da antiga Cinelândia Paulistana dos anos 1950, período em que a região central abrigava dezenas de complexos com capacidade para até 3.000 espectadores.
O impacto dos shoppings e a perda histórica
Apesar da euforia com os novos projetos, o volume atual de aproximadamente 20 salas de rua — o equivalente a 5% do total municipal — contrasta fortemente com o estimado de 150 unidades existentes no passado. O declínio começou em 1966 com a inauguração do shopping Iguatemi e ganhou força com o Ibirapuera em 1976, impondo um novo padrão de conveniência, segurança e conforto em fortalezas privadas que sufocaram o modelo tradicional.
Historicamente, a transição dizimou polos tradicionais de bairro, a exemplo da antiga minicinelândia localizada na Avenida Santo Amaro, na Zona Sul, onde funcionavam unidades como Vila Rica, Vila Nova e Graúna. A escassez desses locais retira da metrópole pontos vitais de convivência urbana, integração comunitária e estímulo ao comércio de calçada, composto por padarias, bares e restaurantes.
Perspectivas para o futuro da cultura urbana
A presença de salas de exibição integradas à calçada fomenta a circulação de pedestres, eleva a segurança noturna e impulsiona a atmosfera cosmopolita da metrópole. A expectativa é que a reativação de pontos como o Cine Rosário consiga dinamizar ainda mais a vida noturna e cultural no Triângulo Histórico.
Especialistas apontam que há potencial para resgatar outros espaços marcantes, como o Cine Metrópole, na galeria homônima, ou o Cine Marrocos, atualmente abandonado, cujo prédio estatal poderá ser transformado em empreendimento residencial com a preservação do cinema no térreo.