Galípolo aponta demora em fiscalização do Banco Master em depoimento à PF

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em depoimento prestado à Polícia Federal que houve “demora injustificada” na fiscalização do Banco Master, instituição ligada a Daniel Vorcaro. Segundo o relato, dois antigos chefes da área de Supervisão Bancária teriam demonstrado resistência em fornecer dados detalhados sobre a situação financeira do banco.

Conflitos internos e investigações

De acordo com o inquérito policial, Belline Santana, que comandava a Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização e ex-adjunto da supervisão, teriam atuado para defender os interesses de Vorcaro dentro da autarquia federal. A defesa de ambos nega veementemente qualquer medida de favorecimento ao ex-banqueiro.

Procurado, o advogado Odel Antun, que representa Paulo Sérgio, disse ser “lamentável que a imprensa tenha acesso ao material dos autos antes da defesa.” O representante legal acrescentou ainda: “Assim que tivermos a oportunidade de ler o depoimento de Galípolo, poderemos comentá-lo.”

Cobranças e sindicância interna

Registros apontam que os balanços do Master geraram atritos diretos entre Paulo Sérgio e o atual presidente do BC. Durante uma reunião realizada no ano passado entre a diretoria e a equipe técnica, o clima foi de forte tensão. Às autoridades policiais, Galípolo confirmou que participou de encontros tensos com os servidores nos quais exigiu providências rigorosas.

Uma auditoria interna conduzida pela própria instituição financeira federal apontou indícios de que Belline simulou a contratação de serviços para um projeto social como fachada para receber propinas do grupo investigado. Sobre essa acusação, o advogado Leonardo Palazzi declarou em nota anterior que seu cliente jamais recebeu qualquer quantia ou vantagem do Banco Master.

Processo administrativo e novos depoimentos

A sindicância também identificou suspeitas de que Paulo Sérgio teria simulado a alienação de um imóvel rural em Minas Gerais para uma empresa de propriedade de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, com o intuito de ocultar repasses financeiros ilícitos.

Diante dos fatos, a conduta dos ex-dirigentes passou a ser escrutinada pela Controladoria-Geral da União por meio de um Processo Administrativo Disciplinar instaurado em março, cujo desfecho pode resultar na demissão dos funcionários públicos. Paralelamente, a Polícia Federal marcou novas oitivas com figuras centrais do setor financeiro, enquanto os desdobramentos do caso seguem em andamento em Brasília.

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