Exposição em São Paulo une artistas de diferentes gerações da arte brasileira

Duas sedes da galeria Dan, situadas em São Paulo, abrigam a exposição “Por Elas, Com Elas: Do Moderno ao Contemporâneo”, um evento que reúne criadoras de diversas épocas para destacar as trajetórias e pesquisas de pioneiras na ampliação dos limites da arte brasileira.

O recorte histórico e o modernismo

O primeiro núcleo da exposição apresenta peças raras e menos conhecidas de nomes como Tomie Ohtake, Lygia Clark, Yolanda Mohalyi e Mary Vieira. O recorte abrange o período entre os anos 1950 e o início da década de 1970, marcado por forte destaque feminino na cena artística nacional.

“Esse é um período muito importante, porque é a chegada da abstração. Até então havia uma preocupação de se construir uma identidade nacional por meio da arte. Isso cai a partir da Bienal de 1951”, diz a curadora da exposição, Maria Alice Milliet.

As criações dessa fase possuem forte apelo geométrico e refletem a influência de Piet Mondrian sobre a geração que buscava construir uma linguagem internacional e racional. “Mas, apesar de elas estudarem aquele modelo com muita admiração, elas estavam indo dali para frente. Ela não se limitavam a copiar —o que, inclusive, causou na época quase um mal-estar na Europa”, afirma Milliet.

Obras em fase de pesquisa

Entre os destaques da primeira sede, nos Jardins, está um exemplar raro de um dos “Bichos” de Lygia Clark em estágio embrionário de experimentação. O espaço também exibe páginas de um caderno de estudos de Eleonore Koch que demonstram sua investigação cromática e a proximidade com seu mestre, Alfredo Volpi.

O contraste com a arte contemporânea

A dez minutos de carro dali, o endereço do Itaim Bibi acolhe a segunda parte da mostra, estabelecendo uma distância temporal de meio século. Enquanto o primeiro bloco foca em trabalhos delicados e de menor escala, o segundo aposta em produções monumentais que debatem a natureza e o feminino.

Adriana Rocha apresenta grandes telas onde investiga o desgaste lavando o material no jardim com mangueira e desenhando sobre os restos. “É quase um fragmento de memória de um mundo que está desaparecendo”, diz a curadora.

Maria Martins é a única artista que cruza essa barreira cronológica com uma escultura em bronze baseada em um gesso de 1931, posicionada frente a frente com uma obra de Anke Eilergerhard. O percurso também aborda temas densos, como o aprisionamento feminino nas fotografias de Roberta Goldfarb e a violência contra a mulher nas criações de Lucia Castanho.

A visitação é gratuita e acontece de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 13h, com encerramento programado para o dia 7 de novembro.

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