Omc dobra projeção para comércio global impulsionada por inteligência artificial

A Organização Mundial do Comércio surpreendeu o mercado financeiro ao dobrar a sua projeção de crescimento para o volume do comércio global de mercadorias em 2026. A estimativa, que estava fixada em 1,9% na divulgação de março, saltou para 3,9%. Para o ano de 2027, o índice passou de 2,6% para 4,1%, conforme dados publicados na atualização do relatório Perspectivas e Estatísticas do Comércio Global.

O papel central da tecnologia

O principal motor por trás dessa revisão positiva é o aporte financeiro massivo em inteligência artificial. Esse movimento teve força suficiente para neutralizar os reflexos econômicos negativos causados pela guerra no Oriente Médio. Os chamados bens habilitadores de tecnologia, como servidores, chips e equipamentos de rede, foram responsáveis por 47% de toda a expansão do comércio de bens em valor durante o primeiro semestre do ano.

De acordo com o levantamento da entidade, o comércio desses componentes disparou 67% no período, mantendo uma sequência de altas expressivas registradas nos anos anteriores. A participação desses itens no mercado internacional, que costumava oscilar entre 7% e 8% ao longo da última década, atingiu a marca histórica de 14,8% na primeira metade de 2026.

Impactos da guerra e o cenário regional

Apesar do avanço tecnológico, os conflitos armados no Oriente Médio trouxeram desdobramentos severos para setores específicos, como o de serviços e transportes. A previsão de crescimento global para o setor de serviços foi ajustada para baixo, caindo de 4,8% para 3,3% em 2026. O fechamento de espaços aéreos na zona de conflito e o encarecimento do combustível de aviação limitaram o avanço dos transportes e das viagens.

No setor energético, o fechamento quase total do estreito de Hormuz derrubou as exportações de gás natural liquefeito da região em 47%. No entanto, o aumento na oferta por parte de outros produtores ajudou a conter a retração global do insumo. Paralelamente, o petróleo tipo Brent registrou oscilações severas, alcançando picos expressivos antes de recuar parcialmente após acordos diplomáticos na região.

Desempenho da América do Sul e do Brasil

Para a região sul-americana, a instituição revisou para cima a expectativa de alta nas importações em 2026, passando de 2,5% para 4,6%, enquanto as projeções de exportação permaneceram estáveis. O relatório destaca que o Brasil figurou entre os principais produtores que ampliaram os embarques de petróleo, ajudando a suprir a lacuna deixada pela queda na produção do Oriente Médio.

Mercado de serviços e insumos agrícolas

No segmento de serviços tecnológicos, as exportações brasileiras de computação registraram um crescimento de 13% no segundo trimestre, colocando o país em destaque ao lado de outras economias emergentes. Por outro lado, o agronegócio nacional sentiu os efeitos da volatilidade no mercado de fertilizantes, impulsionada pelas turbulências geopolíticas no Golfo, com forte oscilação nos preços da ureia ao longo do primeiro semestre.

Por fim, a instituição alerta que a sustentabilidade dessas projeções para os próximos anos permanece diretamente atrelada a uma resolução pacífica e definitiva para os conflitos no Oriente Médio, visto que a persistência das hostilidades pode tornar os atuais índices excessivamente otimistas.

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