O impacto da proibição das apostas de quotas fixas alcançou setores econômicos distantes dos grandes centros e surpreendeu pequenos fabricantes no interior do Rio Grande do Norte. Duas empresas de confecção de bonés e chapéus localizadas em Caicó enfrentam prejuízos severos decorrentes de cancelamentos de pedidos que seriam destinados às festividades carnavalescas, contratos que representavam a chance de recuperação financeira para o restante do período.
Impacto na produção local e faturamento
A WRL Bonés contava com a fabricação de 300 mil unidades encomendadas pela marca Esportes da Sorte, um negócio estimado em R$ 2,1 milhões que envolveria diretamente cerca de 200 pessoas entre colaboradores diretos, oficinas terceirizadas e produtores regionais.
“Não temos clientes capazes de repor o volume dessa encomenda. Muitos trabalhadores serão afetados. Foi um impacto inesperado”, afirma a diretora da empresa, Larissa Almeida, sobre a medida provisória que barrou as apostas de quotas fixas.
Outra fábrica afetada na região
No mesmo município potiguar, a DF Bonés e Chapéus registrou perdas avaliadas em aproximadamente R$ 850 mil. A demanda cancelada previa a confecção de 200 mil peças com início programado para novembro, mobilizando cerca de 50 pequenos produtores locais. Embora o prejuízo seja expressivo e envolva parcerias com marcas como Betnacional e Sportingbet, a companhia informou que não tem planos de realizar demissões.
Tradição de vendas e o cenário das bets
No modelo de negócios dessas confecções, os contratos de fim de ano e carnaval desempenham papel fundamental para equilibrar os meses de menor faturamento comercial. O setor de apostas online, que acumulou R$ 88,5 bilhões em depósitos durante o primeiro semestre de 2026, contava com 84 empresas licenciadas, 193 marcas ativas e uma base mensal de 9 milhões de apostadores antes da restrição governamental.
Apesar dos reflexos negativos na cadeia produtiva têxtil, a medida restritiva conta com ampla aprovação popular no país. Dados de levantamento do instituto Datafolha apontam que 78% da população brasileira apoiam a proibição das plataformas de apostas.