Após a realização do primeiro turno, o pleito já considerado histórico revela um novo mapa de forças no cenário político brasileiro. A disputa deixou marcas profundas na configuração dos poderes, evidenciando grandes vitoriosos e derrotados tanto no âmbito legislativo quanto nos governos estaduais.
O crescimento recorde do PL
O maior destaque positivo da eleição sem dúvida é o PL, unindo o partido, o seu presidente, Valdemar Costa Neto, e claro o seu candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro. A legenda assegurou 28 senadores e 121 deputados federais para a próxima legislatura. Trata-se de uma representatividade expressiva que confere à sigla uma influência sem precedentes nas últimas três décadas.
Ganhe Lula ou Flávio, o PL e seus aliados poderão implementar uma forte agenda conservadora nos costumes, na economia e na segurança. Essa musculatura parlamentar garante protagonismo inquestionável nos debates nacionais a partir do próximo ano.
Novos nomes e o desempenho regional
Entre os governos estaduais, o fenômeno mais marcante ocorreu em Minas Gerais. Um segundo vencedor para mim é o novo governador de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo. Houve uma onda de vencedores de direita nos estados, como Sergio Moro no Paraná, Tarcísio em São Paulo e Zucco no Rio Grande do Sul.
Mas o Cleitinho é o caso mais impressionante, um político outsider e subestimado, que derrotou praticamente sozinho ex-prefeitos e um governador já no primeiro turno.
Do outro lado do espectro partidário, o desempenho regional evitou um revés total. Por fim, para fazer um agrado ao outro lado, o PT do Nordeste saiu relativamente bem em meio a uma eleição ruim para o partido. Reelegeu governadores e saiu vitorioso em várias disputas ao Senado. A renovação petista cada vez mais passa por essa região do país.
O recuo do Centrão e as perdas institucionais
No campo dos derrotados, o bloco de partidos intermediários registrou perdas significativas. Agora, vamos aos perdedores. O centrão certamente é um deles, com redução das bancadas no Congresso e no número de governadores.
A derrocada também afetou figuras estratégicas das articulações partidárias. E aí vale uma menção especial para o Gilberto Kassab, que apostou num candidato errado e flopou em quase todas as suas previsões. A imagem dele de oráculo da política saiu bem arranhada dessa vez.
Outro polo que sofreu desgaste foi o Poder Judiciário. Perdeu também o Supremo, que virou tema de campanha de vários dos senadores eleitos. Uma ofensiva contra alguns ministros, especialmente Alexandre de Moraes, é inevitável em 2027.
O balanço para o Palácio do Planalto
O desgaste estratégico também atingiu o principal partido da base governista atual. Por fim, e talvez os perdedores mais óbvios, são Lula e o PT. Fizeram uma campanha sem alma, desorganizada, confusa e falando mais da biografia do presidente do que de planos para o futuro.
Mesmo que o presidente consiga uma virada no segundo turno, seu partido vai ter de ter uma grande DR sobre o que quer para os próximos anos.