Propostas de alteração na Constituição feitas por um candidato com chances reais de chegar à Presidência geram forte preocupação, especialmente devido ao histórico político e familiar de Flávio Bolsonaro (PL). A situação fica ainda mais delicada quando o parlamentar associa a mudança da Carta Magna à intenção de “redemocratizar” o Brasil, levantando dúvidas sobre a visão democrática do grupo político.
Esclarecimentos sobre as mudanças constitucionais
Questionado sobre as declarações, o senador pelo Rio de Janeiro argumentou que suas intenções englobam medidas como a redução da maioridade penal, reformas política, tributária e no Judiciário, além do fim da reeleição presidencial. Embora grande parte dessas pautas seja legítima em tese, o problema central reside na narrativa de que o país atualmente não vive sob um regime democrático.
Apesar de existirem abusos evidentes cometidos pelo Supremo Tribunal Federal durante processos eleitorais livres, isso não descaracteriza o estado democrático brasileiro. Reformas na mais alta corte do país, como a instituição de mandatos fixos, a criação de um código de conduta e a limitação do foro privilegiado, são essenciais para fortalecer o equilíbrio entre os Poderes, e não para enfraquecê-los.
O desafio fiscal e o debate econômico
Considerado um dos favoritos na disputa pelo Planalto, o parlamentar ainda precisa detalhar suas estratégias para recuperar as contas públicas, que apresentam um cenário alarmante. Em agosto, a dívida pública atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto, superando em mais de 11 pontos percentuais o patamar registrado no encerramento de 2022.
Propostas tímidas frente à crise
O cenário para o Tesouro Nacional aponta para novos déficits, alimentando um ciclo vicioso de endividamento e juros elevados. Até o momento, o debate eleitoral tem sido raso, com o atual governo rejeitando a necessidade de superávits fiscais e a oposição evitando medidas impopulares de ajuste fiscal por receio de impacto eleitoral.
Mesmo com reuniões reservadas com o empresariado, o candidato evitou medidas mais profundas, descartando publicamente o fim da indexação de benefícios sociais ao salário mínimo. As soluções apresentadas até agora, baseadas em corte de ministérios, desburocratização e venda de imóveis públicos, mostram-se insuficientes para o tamanho do desajuste econômico.