Supremo Tribunal Federal revela relatório com ameaças de morte contra ministros

Um relatório de segurança divulgado nesta sexta-feira (9) revelou milhares de mensagens na internet contendo ameaças de agressões físicas e homicídio direcionadas a ministros do Supremo Tribunal Federal.

Relatório de segurança do STF

O material foi tornado público pelo ministro Flávio Dino por meio de suas redes sociais. O magistrado apontou que o ódio manifestado nos textos decorre da disseminação contínua de inverdades com o propósito de incentivar atos violentos.

“Recebi hoje trechos de um relatório de segurança do STF mostrando milhares de mensagens no mesmo sentido: ameaças de assassinato e agressões diversas”, escreveu o ministro no Instagram.

O magistrado ainda destacou sua trajetória profissional e criticou a escalada de hostilidades motivada por discordâncias jurídicas. “Em 37 anos como servidor público, nunca respondi a um único processo criminal. O ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência. Se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raiososos incitando perseguições e agressões”, declarou.

Mensagens de intimidação e histórico de hostilidades

As investigações apontam que os ataques contra os integrantes da Corte e seus familiares ocorrem de forma recorrente pelo menos desde 2019. O levantamento indica que a rede social X concentra o maior volume de publicações hostis.

Entre os conteúdos interceptados, constam investidas diretas contra a integridade física de autoridades. Em uma das mensagens, o autor, que foi ocultado, afirma que Dino será “o primeiro a ser fuzilado”, em razão de “ter proibido o acesso às armas”. Outro escreve: “Invadir o STF e fazer com Moraes, Dino e Zanin (sic) igual fizeram com Tiradentes, cabecinha em praça pública.”

Defesa da independência da Justiça

Apesar do teor dos recados, o ministro garantiu que sua rotina de trabalho permanecerá inalterada e enfatizou a importância da coragem institucional para a manutenção do Estado democrático de Direito.

O ministro reforçou que “em nada alterarei a minha atuação profissional, pois nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou”. Para ele, “se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição”.

A exposição do material busca alertar sobre o avanço da violência digital contra as instituições e reforçar a necessidade de proteção aos operadores do direito no exercício de suas funções constitucionais.

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