A tecnologia avança no campo brasileiro e a inteligência artificial passa a integrar a rotina dos confinamentos de gado. O recurso tecnológico atua na automação da alimentação bovina, auxiliando produtores rurais a conter despesas, evitar desperdícios e elevar o rendimento do rebanho por meio do monitoramento completo das etapas produtivas.
Controle nutricional e precisão no cocho
A adoção de ferramentas digitais busca sanar um dos principais gargalos da pecuária intensiva: assegurar que cada lote receba exatamente a proporção de nutrientes estabelecida pelo zootecnista. Com custos com ração representando uma fatia pesada do orçamento, falhas na distribuição afetam diretamente a lucratividade da atividade. Equipamentos de pesagem, sensores e identificadores eletrônicos substituem o antigo controle manual em planilhas de papel, conferindo exatidão ao processo.
O sistema acompanha desde a mistura dos ingredientes nos caminhões misturadores até o despejo nos currais. Conforme aponta o médico-veterinário Henrique Lemes, a ferramenta identifica se houve divergência nas quantidades de milho, silagem, farelo de soja ou núcleo mineral. “O boi não pode comer nem muito nem pouco. Se como muito, pode estar havendo desperdício dentro da parte da indústria que faz a ração, no trajeto, no cocho. Outra coisa é o animal estar comendo demais, o que pode provocar uma acidose ruminal. Ele vai estar comenda, gastando e não ganhando peso”, explica.
Correção de rumo e apoio ao peão
O especialista destaca que a tecnologia não tem o objetivo de eliminar a mão de obra humana, mas sim de elevar a confiabilidade dos dados gerados no dia a dia da fazenda. “Não é substituir o trabalho do ‘peão’, mas a gente reduz os erros de informação que ele gera. Só existe na Nova Zelândia e na Austrália um confinamento totalmente automático, mas ainda está em fase de teste”, esclarece.
O programa consegue apontar se determinados lotes ultrapassaram a meta nutricional ou ficaram abaixo do esperado, relacionando tais desvios a variáveis climáticas como calor intenso ou precipitações. Práticas semelhantes já funcionam em países como Estados Unidos, Nova Zelândia e Austrália.
Investimento e democratização da tecnologia
Utilizadas inicialmente há cerca de cinco anos por grandes players do mercado, as soluções de automação tornaram-se mais acessíveis para produtores de médio e pequeno porte devido à queda nos preços dos equipamentos.
O custo para implementar a tecnologia varia conforme o porte da propriedade e o volume de animais. A modernização de cada estrutura de pesagem fica entre R$ 50 mil e R$ 80 mil, enquanto a instalação nos currais demanda aportes adicionais em sensores e infraestrutura.
“As margens do confinamento são muito estreitas, não pode ter erro. A gente pensou em uma forma de automatizar toda essa controladoria, já que antigamente o pessoal pegava um papel, anotava. Era muito demorado, e era um serviço muito grande. O boi come todo dia, e ficava um negócio muito oneroso, muito demorado, e com muitas falhas, a partir disso, com esse volume de animais, que vem crescendo na parte de confinamento de uns 10, 15 anos para cá, permitiu a gente desenvolver este tipo de tecnologia”, conclui o veterinário.