Goiana assume dívida de meio milhão e cria indústria de peças automotivas

Após o término de uma sociedade comercial, a goiana Elisangela Sheila Colodino Feitosa assumiu um passivo de aproximadamente R$ 500 mil e precisou recomeçar em uma estrutura improvisada, apelidada por ela de “fundo de quintal”. Durante cerca de três anos, a operação funcionou em um imóvel alugado de 800 metros quadrados, com a área administrativa na fachada e o setor produtivo nos fundos, enquanto os débitos eram quitados.

Da crise financeira à consolidação em Abadia de Goiás

Uma década após o início difícil, a empresária comanda uma fábrica situada em Abadia de Goiás especializada na transformação de resíduos de borracha em componentes automotivos. Mensalmente, o empreendimento processa cerca de 40 toneladas de material, fabricando itens como coxins de cabine, buchas estabilizadoras, buchas de amortecedores e artefatos para elevação de veículos.

Antes de abrir o próprio negócio, Elisangela acumulou 17 anos de atuação em uma companhia do setor de pneumáticos. Foi nesse período que ela obteve o conhecimento técnico sobre borracha, reaproveitamento de insumos e logística reversa que mais tarde aplicaria na fundação da JJ Borrachas.

Superação de desafios e rotina intensa

Quando a parceria empresarial se encerrou, gerando um prejuízo de R$ 500 mil, a goiana optou por arcar com os valores de forma individual. Nos três anos em que operou no imóvel alugado, ela dividia o tempo entre a gestão administrativa, a embalagem dos artigos e a realização das entregas aos compradores, contando com o auxílio de poucos colaboradores na linha de montagem.

“Eu fiquei sozinha trabalhando com dívida e quitando, saldando as dívidas e fui trabalhando”, conta.

Passado o período inicial, a fundadora adquiriu um terreno para erguer a sede definitiva. Mesmo com as obras ainda em andamento no primeiro galpão, os equipamentos foram transferidos para o novo endereço para garantir a continuidade das atividades. A expansão física e as melhorias estruturais ocorreram de forma gradual ao longo de dez anos.

Crescimento industrial e destaque internacional

Atualmente, a fábrica emprega 15 colaboradores diretos e atende 28 clientes distribuídos por Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Tocantins. Em 2024, a busca por eficiência levou a empresa a integrar o programa Brasil Mais Produtivo, com suporte do Senai, o que elevou a produtividade em 66,67% e encolheu o tempo de fabricação em 19,63%.

Reconhecimento do empreendedorismo feminino

Além dos obstáculos econômicos, a empresária precisou superar barreiras e o preconceito em um mercado de atuação predominantemente masculino. Essa trajetória de resiliência rendeu frutos importantes nos últimos anos.

Em 2023, ela conquistou o segundo lugar na etapa nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. Agora, a história de Elisangela figura entre as dez narrativas de brasileiras selecionadas para o compêndio de 2026 da Aliança Empresarial de Mulheres do Brics, lançado no mês de setembro.

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