Liquidante do Banco Master pede apreensão de mansões de Daniel Vorcaro nos EUA

O liquidante do Banco Master acionou a Justiça dos Estados Unidos com o objetivo de confiscar três residências de alto padrão associadas a Daniel Vorcaro. Os imóveis, avaliados em mais de US$ 168 milhões — o equivalente a cerca de R$ 843 milhões na cotação atual —, teriam sido adquiridos com recursos supostamente desviados da instituição financeira brasileira. A petição foi protocolada no Tribunal de Falências do Sul da Flórida e abrange duas propriedades localizadas em Miami e uma situada em Aspen, no estado do Colorado.

Rotas financeiras e fundos no exterior

De acordo com os documentos apresentados, os montantes saíram do banco e transitaram por uma complexa rede de fundos de investimento e empresas no Brasil, nas Bahamas e nas Ilhas Cayman antes de chegarem ao Mosaic Short Duration Fund, sediado nas Bahamas. Entre fevereiro de 2023 e outubro de 2025, essa estrutura teria movimentado mais de US$ 430 milhões. O processo aponta que o esquema contava com a participação de intermediários, incluindo empresas ligadas a Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, apontado como testa de ferro de Vorcaro e que firmou delação premiada homologada pelo STF.

Aquisições bilionárias à vista e empréstimos de fachada

As compras das propriedades foram realizadas sem financiamento bancário. Em abril de 2024, a Clear River Properties adquiriu uma mansão na Owl Creek Ranch Road, em Aspen, por US$ 77 milhões. Já a Goldbeach Properties pagou US$ 85,2 milhões em janeiro de 2025 por um terreno de frente para a baía na Sabal Palm Road, em Miami, além de outros US$ 6,9 milhões no mês seguinte por um lote vizinho. A investigação detalha que as transações eram sustentadas por contratos de empréstimo considerados fictícios, com prazos estendidos até 2031 e ausência de cobrança efetiva de juros ou inadimplência.

Ocultação patrimonial e continuidade dos repasses

A petição revela ainda manobras para ocultar a verdadeira titularidade dos bens, incluindo pedidos para substituir o nome do ex-banqueiro por estruturas de trust familiar na gestão das companhias norte-americanas. Surpreendentemente, os fluxos financeiros continuaram mesmo após a decretação da liquidação do Banco Central em novembro de 2025, com repasses detectados até março do ano seguinte.

Diante das evidências levantadas, o liquidante solicita que o tribunal norte-americano reconheça os bens como parte da massa falida ou condene as empresas controladoras a restituírem valores milionários, além de requerer a proibição imediata de comercialização das propriedades e a nomeação de um administrador judicial.

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