O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) declarou que vai cumprir a determinação da Justiça que cancelou a realização de uma nova etapa na disputa pelo comando do estado. O posicionamento ocorreu após o Supremo Tribunal Federal barrar uma tentativa jurídica da campanha do PSD.
Decisão do Supremo e votos anulados
Na última quinta-feira (8), o ministro Cristiano Zanin rejeitou o recurso apresentado pela defesa de Paes. O magistrado apontou que a Corte máxima ainda não pode intervir na situação porque as instâncias da Justiça Eleitoral ainda dispõem de possibilidades de contestação. No domingo (4), Douglas Ruas (PL) alcançou 49,27% dos votos nominais, enquanto Paes somou 42,76% e Anthony Garotinho (Republicanos) registrou 3,17%.
Contudo, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) invalidou os sufrágios destinados a Garotinho em virtude de uma condenação por improbidade administrativa. Com a exclusão, os votos válidos foram recalculados, elevando o percentual de Ruas para 50,88% e garantindo o triunfo logo na etapa inicial. A defesa de Paes havia argumentado que o STF possuía precedentes para atuar em caráter de urgência diante de riscos de danos irreparáveis.
Posicionamento nas redes sociais e histórico
Por meio de uma postagem em sua rede social na noite de quinta-feira, o político agradeceu aos eleitores e evitou mencionar nominalmente o vencedor do pleito. “A maioria dos eleitores fluminenses votou para que a eleição para governador do Rio de Janeiro fosse decidida no segundo turno. Infelizmente, a Justiça decidiu que não haverá segundo turno, contrariando a vontade soberana dos eleitores. E decisão judicial a gente respeita”, escreveu.
O ex-prefeito também comentou sobre o cenário administrativo fluminense: “A eleição termina, mas o meu amor pelo RJ e o meu compromisso com o povo fluminense continuam os mesmos.”
Trajetória e próximos passos
Esta representou a terceira tentativa de Paes de chegar ao Palácio Guanabara. Anteriormente, ele concorreu em 2006, quando obteve 5,3% dos votos válidos, e em 2008 disputou a prefeitura da capital — cargo que exerceu por quatro mandatos ao todo, tendo renunciado ao último período para concorrer ao governo estadual. Em 2018, liderou as pesquisas até a reta final, sendo superado pela onda política que elegeu Wilson Witzel.
O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio de Janeiro agendou para este sábado (10) a cerimônia oficial de retotalização dos votos do primeiro turno. A impugnação da candidatura de Garotinho ocorreu em decorrência de uma condenação por desvio de R$ 234,4 milhões da Secretaria de Saúde para entidades do terceiro setor que apoiaram sua pré-candidatura presidencial em 2006.