A advogada e magistrada sul-africana Navanethem Pillay foi anunciada nesta sexta-feira (9) como a laureada com o Nobel da Paz de 2025. De origem indiana, a jurista comandou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014 e foi agraciada pelo comitê norueguês por “seus esforços para promover a paz e o direito internacional”.
Disputa afunilada e cinco décadas de sigilo
Na corrida pela honraria deste ano, 287 candidaturas foram submetidas à avaliação em Oslo, divididas entre 208 indivíduos e 79 entidades. A quantidade representou uma redução em comparação a 2024, quando 338 indicações foram formalizadas, ficando ainda mais distante do recorde histórico registrado em 2016, ano em que 376 nomes concorreram.
Quem desejar conhecer a totalidade dos nomes indicados e as autoridades responsáveis por cada nomeação precisará esperar. O regulamento do comitê determina que esses dados permaneçam em segredo absoluto por 50 anos, protegendo tanto proponentes quanto concorrentes derrotados.
A evolução dos critérios da honraria
Instituído originalmente em 1901 ao lado das categorias de Literatura, Química, Física e Medicina — com a adição de Economia apenas em 1969 —, o prêmio passou por profundas transformações conceituais ao longo das décadas.
Até a metade do século 20, as escolhas costumavam se concentrar em “políticos ativos que procuravam promover a paz internacional, a estabilidade e a justiça por meio da diplomacia e de acordos internacionais”. Após o término da Segunda Guerra Mundial, o comitê ampliou seu escopo para contemplar bandeiras como a proteção aos direitos humanos, a consolidação democrática e o desarmamento. Mais recentemente, com a chegada do século 21, as ações voltadas à contenção da crise climática também passaram a integrar o radar da instituição.
Pressões políticas e escolhas questionadas
A láurea da paz costuma ser acompanhada de fortes debates globais. Na edição passada, a líder opositora venezuelana María Corina Machado levou o reconhecimento e gerou repercussão ao repassar sua condecoração a Donald Trump, sob o argumento de que o norte-americano merecia o tributo pela deposição militar de Nicolás Maduro em Caracas. A atitude gerou desconforto em Oslo, embora o regulamento determine que o título seja vitalício e intransferível.
Outros nomes contemplados no passado também viraram alvo de escrutínio público posterior. Aung San Suu Kyi, premiada em 1991, foi amplamente criticada pela omissão diante da perseguição e êxodo forçado de 1 milhão de muçulmanos rohingya em Mianmar. O premiê etíope Abiy Ahmed, condecorado em 2019 pelo fim do conflito com a Eritreia, comandou uma nova guerra interna no ano seguinte. Mais recentemente, denúncias de abuso sexual contra menores recaíram sobre o bispo Carlos Filipe Ximenes Belo, agraciado em 1996.