Latam recebe primeiro Embraer e aposta em rotas corporativas inéditas

A Latam recebeu nesta quinta-feira (8), na sede da fabricante em São José dos Campos (SP), a primeira unidade de um total de 24 aeronaves Embraer E195-E2 encomendadas. Com o novo jato, a companhia aérea iniciará operações voltadas para o mercado corporativo a partir do dia 30 de novembro, inaugurando quatro destinos inéditos na malha com partidas de Guarulhos (SP).

Novas rotas e expansão da frota

Os voos iniciais atenderão as cidades de Ji-Paraná (RO), Macaé (RJ), Rondonópolis (MT) e Cabo Frio (RJ). A estreia da frota contará com quatro ou cinco aeronaves em operação. “Ji-Paraná, por exemplo, é uma cidade que está acima da curva”, diz Jerome Cadier, CEO da Latam. “Escolhemos essas cidades com potencial de grande demanda corporativa. Cabo Frio entra também na de turismo.”

Impacto da reforma tributária no setor

Enquanto as viagens de negócios devem se manter firmes ou crescer em 2027, o segmento turístico poderá enfrentar retração devido aos reflexos da reforma tributária a partir do próximo ano. A alíquota de impostos poderá atingir 26,5%, sem compensar a eliminação gradual do ICMS sobre o querosene de aviação. A partir de 1º de janeiro de 2027, entra em vigor a CBS, substituindo PIS e Cofins de forma gradual até 2033.

Créditos tributários para empresas

“Como o novo sistema funciona pelo princípio do imposto sobre valor agregado, agências poderão recuperar parte do tributo pago na compra de passagens, por meio de créditos tributários. Isso vale, por exemplo, para empresas que compram bilhetes para funcionários em viagens de negócios”, diz. “O passageiro pessoa física não terá o mesmo benefício e deverá arcar integralmente com a tributação.”

Eficiência diante da alta do combustível

A escolha pelo modelo da Embraer também se deve à capacidade de operar em pistas menores e à economia de combustível estimada em 30% na comparação com concorrentes diretos, como o Airbus A320. “Percebemos como o E2 poderia complementar a demanda, que não era possível com a família A320”, afirma o CEO. Diante do impacto da guerra no Irã, que elevou os custos operacionais com querosene, a busca por eficiência virou prioridade. “Já era importante, mas agora é questão de sobrevivência”, afirma ele, citando que atualmente a empresa paga 90% a mais pelo combustível do que no início do conflito em fevereiro.

O acordo entre as empresas envolve 24 pedidos firmes e 50 opções de compra, totalizando US$ 2,1 bilhões. Até fevereiro de 2027, a Latam receberá 14 aviões da fabricante brasileira, sendo 12 entregues ainda em 2026. Novas levas de rotas devem ser anunciadas nos próximos meses, inicialmente com foco no mercado doméstico brasileiro, mas com possibilidade de expansão para outros países sul-americanos.

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