A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) avalia que, com maioria de direita e uma crescente bancada do agronegócio, a próxima legislatura do Congresso Nacional levará adiante uma pauta de retrocessos ambientais, sobretudo caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito para o Palácio do Planالمل. Ela não conseguiu se eleger para uma cadeira do Senado por São Paulo, ficando em quarto lugar em uma disputa na qual dois candidatos da direita foram vitoriosos.
Críticas à nova composição legislativa
Em entrevista, a deputada federal eleita comentou o cenário político projetado para os próximos anos. “É um cenário altamente preocupante”, disse ela à Folha. “Tanto pelo risco de que marcos regulatórios possam ser todos demolidos, como aconteceu na Argentina, quanto pela postura subserviente e entreguista aos interesses de Donald Trump, ainda mais em um eventual governo Bolsonaro. Isso vai atrapalhar os interesses econômicos, sociais, ambientais do Brasil.”
Balanço de leis aprovadas e atuação do Ibama
De volta ao cargo de deputada federal, a política afirma que, mesmo na atual legislatura, uma série de matérias aprovadas no Legislativo nos últimos quatro anos representou retrocessos: a demolição, nas próprias palavras, do licenciamento ambiental, restrições à fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) contra crimes ambientais e a redução de áreas de preservação e terras indígenas. Em 2025, foi aprovada a lei que flexibiliza o setor, com a criação da LAE (Licença Ambiental Especial) por articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Já em 2026, congressistas avançaram com projetos que diminuem o poder de atuação do Ibama e reduzem 555 mil hectares em áreas protegidas.
Reações à crise civilizatória
“Essas pessoas são os estertores da crise civilizatória. Infelizmente alguns daqueles que podem e devem reagir para evitar que essa pulsão de morte prevaleça ainda não estão reagindo. Espero que a gente tenha uma postura de salvaguardar os ganhos da civilização no continente”, declara.
No segundo turno da disputa presidencial, a ex-ministra concentrará esforços para tentar reeleger Lula (PT), que terminou a primeira etapa atrás de Flávio Bolsonaro. Diante do cenário de forte polarização e da disparidade no financiamento de sua própria campanha na federação Rede-PSOL, ela comemorou os 7,8 milhões de votos recebidos em São Paulo e reforçou que continuará defendendo a pauta ambiental independentemente de cargos na política institucional.