O político goiano Olavo Noleto, filiado ao PT e que atuou como ex-secretário-executivo do Ministério das Relações Institucionais, foi mencionado em denúncias conduzidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. As informações apontam para tratativas irregulares envolvendo o governo do presidente Lula e foram veiculadas pela revista Veja, incluindo a alegação de repasse de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para um documentário sobre o atual chefe do Executivo.
Conexões e fundos de pensão
Noleto, que funcionava como o braço direito de Alexandre Padilha no Planalto, é apontado como um dos interlocutores do banqueiro para destravar investimentos de fundos de previdência estatais. Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro demonstram interações frequentes e reuniões reservadas entre os dois.
Conforme os relatos vinculados a Vorcaro, a aproximação se deu no final de 2023 com promessas de comissões ilegais pela liberação de verbas. O contato inicial com Noleto teria ocorrido por intermédio de um operador chamado Júlio, com trânsito livre no gabinete de Padilha.
Encontro reservado e jantar em Brasília
A relação entre o ex-controlador do Banco Master e o petista goiano também veio à tona por meio de conversas reveladas anteriormente pela Folha de S.Paulo. Em outubro de 2024, Noleto esteve em um jantar na residência de Vorcaro, na capital federal, na companhia de Alexandre Padilha, evento que ficou fora da agenda oficial.
A reportagem detalha que as tratativas evoluíram para discussões sobre um encontro direto entre o banqueiro e o presidente Lula, que ocorreu em dezembro de 2024. A defesa de Padilha e Noleto pontuou anteriormente que o ministro mantinha rotina de encontros com diferentes setores sem desdobramentos ilícitos.
Investigação e financiamento de filme
Além das discussões sobre fundos de previdência, Vorcaro declarou ter destinado montantes expressivos em espécie para a produção de um filme sobre Lula dirigido por Oliver Stone. Contudo, análises técnicas de mensagens e contestações de produtores apontam ausência de provas materiais para essas transferências, e a Procuradoria-Geral da República não deu seguimento às tratativas de delação.
Nascido em Goiânia, Noleto possui ampla trajetória na gestão pública e atualmente preside a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Procurados pela imprensa, os citados negaram irregularidades e Noleto optou por não se manifestar sobre as novas revelações, enquanto as acusações seguem sem comprovação oficial definitiva.