Novos relatórios da Polícia Federal encaminhados ao Supremo Tribunal Federal revelam que a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília foi debatida em janeiro de 2025, durante um encontro em Zurique, na Suíça. A reunião reuniu o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master na época, e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Estratégia de expansão e transações bilionárias
As investigações apontam que as tratativas começaram a ser estruturadas em outubro de 2024, período em que o BRB lançou ações no mercado visando captar até R$ 1 bilhão para reforçar seu capital. Para a corporação, a medida integrava os preparativos voltados à eventual aquisição do Banco Master. Além disso, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, o BRB adquiriu R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo banco privado, enquanto levantamentos anteriores indicam que o montante total das operações entre as instituições chegou a R$ 16,7 bilhões em cerca de um ano.
Mensagens revelam articulação e encontros na Europa
A análise de celulares apredidos de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, atualmente presos, detalhou a organização dos encontros. Em 20 de janeiro de 2025, Paulo Henrique avisou Vorcaro sobre um pedido de reunião feito por Ibaneis. Três dias depois, o trio se encontrou em território suíço na companhia de uma quarta pessoa chamada Leonardo. Dias depois, em 26 de janeiro, Vorcaro voltou a contatar o dirigente do BRB para discutir repercussões na imprensa, gerando preocupação sobre o sigilo das conversas.
Interferência política e fundos de investimento
A Polícia Federal sustenta que a atuação de Ibaneis ultrapassou os limites institucionais, apontando que ele participou de articulações com empresários, definição de estratégias e autorização de valores. Os investigadores classificaram o cenário como um possível caso de captura institucional. O relatório também identificou o uso indireto dos fundos Borneo, Verbier e Delta para ocultar a real participação do Banco Master na estrutura acionária do BRB.
Em nota oficial, a defesa de Ibaneis Rocha, assinada por uma equipe de advogados, negou qualquer pressão ou interferência nas operações, afirmando que o ex-presidente do BRB tinha total autonomia e que o nome do ex-governador foi citado poucas vezes no relatório sem configurar participação direta. As conclusões da PF integram a fase de investigação e não representam uma condenação judicial definitiva.