Flávio Bolsonaro articula governo com cinco grupos políticos de olho em ministérios

Após encerrar o primeiro turno à frente do presidente Lula, o senador Flávio Bolsonaro chegou à disputa final cercado por pelo menos cinco correntes distintas que já articulam espaço em uma possível Esplanada dos Ministérios. Enquanto parte desses aliados acompanha o parlamentar desde o início da jornada, outros intensificaram os entendimentos na reta final da disputa eleitoral.

A articulação na economia e o apoio do centrão

O primeiro bloco é formado por expoentes da área econômica, reunindo figuras ligadas ao ex-ministro Paulo Guedes e operadores do mercado financeiro paulista. Paralelamente, o segundo grupo engaja partidos do centrão e lideranças ligadas ao agronegócio, que oficializaram sustentação ao candidato do PL com o apoio de siglas como PP, União Brasil, Republicanos e Podemos.

Para a pasta da Fazenda ou do Planejamento, nomes como Daniella Marques e Adolfo Sachsida figuram entre os cotados. Já para a Agricultura, a senadora Tereza Cristina e o senador eleito Mauro Mendes aparecem nos bastidores como alternativas viáveis para a gestão federal.

Aliados históricos e o núcleo de São Paulo

O terceiro grupo é composto pelo núcleo familiar e aliados fiéis do bolsonarismo raiz, enquanto o quarto abriga quadros alinhados ao governador paulista Tarcísio de Freitas, que intensificou sua participação na campanha em Brasília e Goiânia. Um quinto grupo abrange nomes externos que mantêm proximidade com o senador sem histórico prévio de militância conjunta.

A movimentação gerou reações adversas nos opositores. Durante panfletagem na avenida Paulista, o ex-ministro Fernando Haddad criticou a articulação antecipada dos adversários: “Nem ganhou eleição, já está loteando o governo. Não é assim”, disse.

Debates sobre a condução econômica e a segurança

No setor financeiro, o ex-diretor do Credit Suisse Marcelo Kayath comentou sobre as diretrizes para a pasta durante entrevista à CNN: “Eu sou contra esse conceito de Posto Ipiranga”, declarou, embora tenha tecido elogios a Paulo Guedes. Outros cotados para a equipe econômica incluem Roberto Campos Neto e Alexandre Bettamio.

No âmbito da segurança e gestão paulista, Tarcísio indicou a disposição de ceder quadros de sua administração. “A gente vai estar sempre pronto para indicar quadros que fazem parte do Governo de São Paulo”, afirmou o governador à TV Jovem Pass. Nomes como Guilherme Derrite e Renato Feder são ventilados para posições estratégicas na Esplanada.

Por fim, aliados próximos também debatem arranjos que assegurem espaço para familiares e novos apoiadores, incluindo tratativas para pastas como Cultura, Defesa e Saúde, esta última cotada para ser liderada pelo médico Claudio Lottenberg caso o projeto presidencial se concretize.

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