Os responsáveis e os compradores da criptomoeda B22, ativo digital associado ao senador Flávio Bolsonaro (PL), entraram em conflito em um grupo de WhatsApp devido a desvalorizações financeiras desde o lançamento da moeda.
Cobranças e recuo na política
Em mensagens obtidas pela reportagem, o divulgador Kevim Flores cobrou os participantes para sustentarem a cotação do ativo e comentou sobre estratégias comerciais, incluindo a decisão de suspender o tom político da iniciativa até a conclusão do processo eleitoral. A memecoin, baseada em tendências da internet, distribuía tokens em troca de postagens favoráveis a Flávio e prometia destinar recursos a um grupo infantil de Uganda com milhões de seguidores.
Ações judiciais e polêmicas
A coligação do presidente Lula (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontando abuso de poder econômico, com pedido de bloqueio da página e proibição de recompensas por propaganda. Diante da repercussão, o grupo africano apagou publicações de divulgação, prometeu devolver milhões de tokens e pediu desculpas ao público brasileiro. A ministra Estela Aranha, do TSE, determinou a derrubada do site oficial na última sexta-feira (9).
Reações dos envolvidos
Flores afirmou que o projeto adotaria uma comunicação estritamente social até o dia 25 de outubro. No aplicativo de mensagens, ele também mencionou conversas com o produtor Nahuel Medina, aliado de Pablo Marçal na campanha de Flávio. Procurado, Medina negou qualquer vínculo ou contato por aplicativo com Flores, afirmando que apenas aceitou sua participação em uma transmissão ao vivo após pedidos do público.
Enquanto investidores relataram perdas financeiras expressivas e cobraram explicações no grupo, a defesa de Flávio Bolsonaro protocolou uma notícia-crime na Justiça Federal por suspeitas de fraude e organização criminosa, resultando em um prazo para manifestação do Ministério Público Federal.