O Grupo Carbon, apontado como o maior player global em blindagem de automóveis civis, protocolou na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de renegociar um passivo estimado em R$ 371,5 milhões. A petição foi movida na última segunda-feira (5) pela C Blindados juntamente com duas subsidiárias: a fabricante de vidros balísticos Opera Glass e a Vertco Blindagem.
Origem da crise financeira e expansão
De acordo com a defesa da companhia, o endividamento é fruto de um descompasso financeiro entre os recursos tomados para impulsionar o crescimento e o retorno dos aportes, que ocorreu de maneira mais lenta do que o previsto. Nos últimos cinco anos, o grupo injetou mais de R$ 180 milhões com o intuito de fabricar internamente insumos balísticos e vidros, adotando um modelo de verticalização a partir de 2021 devido à falta de fornecedores no mercado.
Ações de despejo aceleram o processo
A empresa pretendia ingressar no Judiciário já com o aval da maioria dos credores, mas optou por antecipar a medida em virtude de três processos de despejo por inadimplência. As ações envolvem a sede da empresa e um galpão em Barueri (SP), a fábrica de vidros em Jarinu (SP) e um showroom localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, cujos aluguéis somam mensalmente R$ 459 mil. O grupo solicitou uma liminar para barrar as desocupações durante a suspensão das cobranças.
Estrutura do endividamento e credores
O processo abrange cerca de 600 credores e 2.700 títulos de dívida, concentrados majoritariamente na C Blindados, enquanto a Opera Glass responde por aproximadamente R$ 11 milhões e a Vertco por menos de R$ 1 milhão. Instituições financeiras e fundos de recebíveis lideram a lista de cobrança, tendo o fundo Amadeus à frente com R$ 95,3 milhões, seguido pelo Banco Digimais com R$ 61,4 milhões em debêntures e pelo fundo SSG com R$ 38,4 milhões. Bancos como Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Porto Seguro também compõem a relação.
Apesar do cenário adverso, o grupo defende a viabilidade de sua operação e aponta que o entrave reside exclusivamente no endividamento, destacando que a receita líquida avançou 45% em 2025 para atingir R$ 673 milhões, enquanto o Ebitda saltou de R$ 15 milhões para R$ 41 milhões. Fundada em 2015, a empresa detém cerca de 16% do mercado brasileiro de blindagem civil e conta com homologações de grandes montadoras.