Candidatos suspeitos de elo com o crime organizado são eleitos no RJ e SP

Das 30 figuras políticas nacionais questionadas pela Procuradoria-Geral Eleitoral ou pela Justiça Eleitoral devido a supostos vínculos com o crime organizado, três conseguiram se eleger, sendo dois deputados federais e um estadual.

O caso de Ney Santos em São Paulo

O ex-prefeito de Embu das Artes, Ney Santos (Republicanos), garantiu uma cadeira na Câmara dos Deputados após receber 118,5 mil votos em território paulista. Ele enfrentou investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo por supostos elos com o PCC em um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas em postos de combustíveis. O político chegou a ficar foragido em 2016, quando teve a prisão decretada. A defesa diz que o MP-SP tenta ligar o ex-prefeito a uma facção criminosa “de forma leviana”. “Todas as imputações feitas pelo Ministério Público foram investigadas à exaustão e, ao final, por total ausência de prova, o Poder Judiciário sempre reconheceu sua inocência.” O ex-prefeito afirmou ainda que as acusações não passam de factoides requentados e que as investigações foram arquivadas por determinação judicial por falta de provas.

A situação no Rio de Janeiro com Antonio Rueda e Márcio Canella

No Rio de Janeiro, Antonio Rueda (União Brasil) conquistou uma vaga de deputado federal com 155,8 mil votos. Ele realizou campanha em conjunto com Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo eleito deputado estadual na Alerj com 197,1 mil votos, ficando atrás apenas de Índia Armelau (PL). Canella foi alvo de contestações por ter o apoio de dois milicianos condenados que acabaram nomeados como secretários municipais mesmo após decisões judiciais desfavoráveis. A defesa diz que Canella exonerou os funcionários após decisão definitiva, respeitando o direito de defesa, e diz que ele combateu facções durante a gestão. A assessoria de Rueda declarou que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro afastou as acusações por unanimidade em 22 de setembro, enquanto o advogado do dirigente partidário afirmou que ele não tem como conhecer todos os aliados dos candidatos com quem faz alianças conjuntas, classificando a situação como uma “quarteirização” de responsabilidade.

Outros nomes e suplentes na mira da Justiça

Em julho, Canella foi detido em flagrante após a Polícia Federal achar um fuzil em seu veículo, sendo liberado dias depois por ordem do ministro Alexandre do STF, que exigiu justificativas sobre o armamento e o uso de tornozeleira eletrônica. A defesa sustenta que a arma pertencia a um policial da escolta do ex-prefeito. Questionado, Canella classificou as acusações de ligação com milicianos como “loucura” e destacou sua atuação parlamentar contra o crime. “Isso aí é oposição que fica soltando isso para querer manchar minha imagem. E outra coisa, a minha maior defesa é o povo da minha cidade”, disse. “Eu sou ameaçado por miliciano, eu sou ameaçado por traficante em função do trabalho que eu faço. O resto é tudo mentira e conversa fiada”, continuou.

Apesar de terem os registros autorizados pela Justiça Eleitoral, outros alvos da lista viraram suplentes, como Junior da Lucinha (PSD-RJ) e Jerson Domingos (União Brasil-MS). No total, os demais 25 políticos citados que não venceram somam mais de 1 milhão de votos, enquanto outros tiveram os registros barrados pelos tribunais.

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