A eleição para a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Goiânia, realizada na manhã de um sábado, foi marcada por um momento de tensão nos bastidores políticos envolvendo a vereadora Rose Cruvinel (União Brasil). A parlamentar expressou grande insatisfação após descobrir, instantes antes do início da sessão, que havia sido retirada da chapa oficial. O seu espaço como 2ª vice-presidente corregedora foi ocupado por Aava Santiago (PSB), que retornou ao mandato legislativo amparada por uma determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Surpresa com a mudança de última hora
Mesmo acumulando vasta experiência em embates políticos dentro do Legislativo municipal, a vereadora admitiu ter sido pega desprevenida pela manobra. A troca gerou atrito não apenas pela perda do posto, mas principalmente pela forma como a articulação foi conduzida pelos demais parlamentares e lideranças partidárias envolvidas no processo de composição da chapa.
“Até o último momento, muda a regra do jogo. Eu sou velhinha, eu sou mulher, mas não sou boba. Eu já participei de quatro eleições nessa Casa para presidente. Eu sei que essas mudanças são naturais, isso é do jogo, o pessoal se reúne e faz o jogo.”
Apesar do aborrecimento inicial com o veto repentino, a parlamentar optou por recuar e garantiu seu voto favorável ao grupo. Ela pontuou que o cenário refletia o peso de diferentes forças políticas influenciando o desfecho da eleição interna.
“A composição da Mesa é uma discussão política que está amadurecendo há muitos dias. Então, eu tinha conseguido, nessa discussão, algumas posições. Só que é um jogo. A eleição da Mesa é um jogo. Tem muitos poderes influenciando. E, na última hora, porque a vereadora Aava conseguiu o retorno dela, eles quiseram beneficiar, quer dizer, dar uma força para a Aava.”
Falta de diálogo prévio
Outro ponto que gerou incômodo na vereadora foi a ausência de transparência e comunicação direta por parte dos articuladores da mudança. Segundo seu relato, o conflito poderia ter sido evitado caso a situação tivesse sido exposta com franqueza antes da votação oficial em plenário.
“Eu fiquei um pouco chateada porque não conversaram comigo. Se falassem para mim: ‘Vamos tirar seu nome porque nós queremos privilegiar a nossa vereadora Aava, que é uma querida amiga’, eu deixava na hora. Eu fiquei chateada porque fizeram sem me falar.”
Negociações na Comissão de Saúde
As divergências na distribuição de cargos também alcançaram as comissões permanentes da Casa. Inicialmente, a parlamentar — que é médica de profissão — foi remanejada da presidência da Comissão de Saúde para a Comissão do Idoso. Ela rejeitou a manobra, argumentando que suas propostas para a terceira idade exigem atuação direta na área de promoção e prevenção médica.
“Eu era presidente da Comissão de Saúde, eu sou médica. Tinham me trocado para a Comissão do Idoso. Só que eu tenho um projeto do idoso, mas é um projeto a ser resolvido na saúde, que é promoção e prevenção da saúde do idoso.”
A situação foi contornada após conversas com a base governista. A proposta inicial de colocá-la apenas na vice-presidência foi descartada, culminando na reversão do quadro para que ela reassumisse o comando principal do colegiado voltado à saúde pública.
Atuação mantida na CCJ
Além da presidência na Saúde, a vereadora confirmou que seguirá participando dos trabalhos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ela destacou que o espaço é estratégico para monitorar e avaliar o fluxo de projetos na Casa, utilizando a bagagem política que acumulou durante sua trajetória na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).
“Eu estou na CCJ, na comissão disso. Eu sou ultraprivelegiada. Pelo fato de eu ser idosa, não sou discriminada pela Câmara. Eu fui muito bem atendida.”
A parlamentar encerrou reforçando que se sente valorizada pelo conjunto dos colegas e que sua permanência nos principais espaços de deliberação garante maior poder de fiscalização sobre os temas debatidos no Legislativo municipal.
“Eu sempre participei da Justiça aqui, lá na Assembleia Legislativa. Eu sempre participei porque é onde passam todos os projetos e a gente tem condição de conhecer o que está acontecendo na Câmara.”