Governo de Buenos Aires planeja expropriar a livraria e discoteca Zivals

O governo de Buenos Aires planeja expropriar e derrubar a histórica disquería e librería Zivals para abrir espaço para a futura Linha F do metrô. Fundada em março de 1971 por Félix, Isabel, Gloria e Javier Laviz, a loja é considerada um refúgio cultural transgeracional na Avenida Corrientes, combinando literatura, discos de vinil, CDs e DVDs em um ambiente frequentado por leitores e artistas apaixonados.

Resistência cultural e o impasse com o governo

Dono do estabelecimento, Fernando Laviz lidera a resistência contra a demolição do prédio de 55 anos. Embora técnicos do governo tenham sugerido alternativas como a reconstrução da livraria após as obras, o dirigente rejeita a proposta por entender que ela descaracteriza o local. “Que vamos fazer, durante a obra, com todos os discos e livros? Dizem que estão propondo uma solução, mas é como negociar com um revólver sobre a mesa”, declarou.

Do outro lado, o ministro Pablo Bereciartua afirmou que o governo ofereceu alternativas, incluindo dois pisos no mesmo local, e admitiu a relevância do espaço para a vida cultural da capital argentina. Mesmo diante da crise que afeta o setor livreiro no país — com o fechamento recente de nomes tradicionais como a Ediciones de la Flor —, a Zivals tem se mantido firme contra as adversidades do mercado.

Um templo da cultura na capital argentina

Reconhecida por seu acervo sofisticado que abrange desde clássicos da literatura até raridades do jazz e do rock, a Zivals representa um dos últimos bastiões do espírito cultural tradicional de Buenos Aires. Enquanto o projeto da nova estação de metrô avança no âmbito legislativo, leitores e defensores da cultura local mobilizam-se pela preservação integral deste verdadeiro patrimônio histórico e afetivo da cidade.

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