Um grave acidente marítimo na costa de Djibuti, no Chifre da África, resultou na morte de ao menos 109 pessoas, incluindo 15 crianças. O naufrágio ocorreu entre a noite de quinta-feira e a madrugada de sexta-feira, deixando ainda 116 migrantes desaparecidos, conforme dados divulgados pela OIM (Organização Internacional para las Migrações).
Detalhes da tragédia e sobreviventes
De acordo com relatos obtidos junto aos sobreviventes, a embarcação transportava um total de 305 passageiros e partiu de território djibutiano com destino ao Iêmen. O acidente aconteceu perto de Guhere, região situada ao norte da cidade de Obock. Entre as vítimas fatais cujos corpos foram resgatados estão 52 homens, 42 mulheres, nove meninas e seis meninos. Mais de 80 pessoas conseguiram se salvar, sendo todas elas de nacionalidade etíope.
Importância geopolítica da rota migratória
A área onde ocorreu o naufrágio fica nas proximidades do estreito de Bab el-Mandeb, ponto estratégico que liga o golfo de Áden ao mar Vermelho e serve de corredor para o comércio internacional entre Ásia e Europa. Essa passagem ganhou ainda mais destaque no transporte global de mercadorias, especialmente de petróleo saudita, após o bloqueio do estreito de Hormuz pelo Irã na península Arábica.
Apoio emergencial e motivações da travessia
“Nossas equipes estão no local, ao lado das autoridades locais, para prestar ajuda emergencial. Esta tragédia nos lembra de forma brutal dos perigos aos quais os migrantes estão expostos ao longo dessa rota migratória”, afirmou Alexandre Coissac, chefe da missão da OIM em Djibuti.
Anualmente, dezenas de milhares de pessoas originárias do Chifre da África utilizam essa rota marítima rumo ao Iêmen, impulsionadas pela busca de melhores condições de vida, estabilidade e segurança em países do Golfo. Fatores como pobreza, conflitos e impactos severos das mudanças climáticas forçam essa população a arriscar a travessia, mesmo diante da forte instabilidade no Oriente Médio, cenário evidenciado recentemente por novos confrontos no Iêmen entre forças governamentais e rebeldes houthis.