Eleito deputado federal por Minas Gerais com 118.567 votos, Pedro Rousseff (PT-MG) chega a Brasília aos 26 anos com um discurso duro contra o bolsonarismo, mas também repleto de críticas severas aos rumos do próprio partido. Sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff, ele avalia que a legenda precisa passar por uma profunda transformação estrutural para evitar seu próprio colapso.
Renovação partidária e oposição ao bolsonarismo
Ao lado da deputada Ana Elisa, também eleita por Minas Gerais, o parlamentar busca encabeçar uma frente de renovação dentro da sigla. Com passagens pela Câmara Municipal de Belo Horizonte, onde foi vereador mais votado do partido em 2024, ele assume a vaga na Câmara dos Deputados com o objetivo de confrontar nomes fortes da direita e da base do PL. “A gente vai de fato fazer aquilo que todos esperam: servir como cão de guarda no Congresso Nacional para poder arrebentar com esses bolsonaristas”, afirma o deputado.
Questionado sobre as prioridades do seu mandato, o parlamentar explica que a atuação em Brasília dependerá diretamente do cenário político nacional. Caso a oposição vença as eleições presidenciais, ele promete endurecer o tom. “Agora, no cenário que está se construindo neste momento, de o Flávio Bolsonaro virar presidente da República, nós vamos fazer aquilo que todos esperam: servir como cão de guarda no Congresso para arrebentar com esses bolsonaristas. Serei a oposição mais firme que o povo brasileiro terá na Câmara. A nossa atuação depende estritamente do resultado dessas eleições”, declara.
O papel das redes sociais e a força da antipolítica
Com 1,1 milhão de seguidores no Instagram, o jovem político defende o uso massivo das plataformas digitais e critica a resistência da esquerda em dominar esse ambiente. Para ele, o sucesso de figuras conservadoras ocorre porque o campo progressista perdeu a capacidade de dialogar com o sentimento popular de insatisfação. “Independentemente de qual lado ganhar, existe um sentimento na população brasileira de modo geral de que a política deu errado. E a política de fato deu errado. De fato deu errado porque o Supremo está uma putaria, porque a Câmara dos Deputados está uma merda, porque o Senado também agora vai implodir por dentro. É por isso que vemos o Cleitinho sendo eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno, ou a eleição do Nikolas Ferreira e do Lucas Pavanato com votações expressivas”, analisa.
O parlamentar reforça que a esquerda acabou assumindo a imagem de defensora do status quo, o que dificulta a captação do eleitorado mais jovem. Segundo ele, a falta de renovação e de novas lideranças empurra a juventude para o campo oposto. “O partido acaba se não tiver novas lideranças, gente para ocupar o espaço com uma cara e um discurso diferentes. Nós podemos perder as eleições deste ano não só por causa de fake news, mas pelo sentimento gerado na população de que poderíamos ter feito mais. A minha entrada como deputado federal é para mostrar que, dentro do PT, tem como fazermos mais”, adverte.
Estratégia digital e comunicação com o eleitor
Para o deputado federal, ignorar o impacto das redes sociais é um erro estratégico imperdoável na conjuntura atual. Ele argumenta que campanhas inteiras já são definidas por meio da internet, citando exemplos de candidaturas majoritárias bem-sucedidas sem grandes estruturas tradicionais.
Na visão de Pedro Rousseff, o seu próprio conteúdo digital cumpre duas funções fundamentais no cenário político atual: combater informações falsas propagadas pela direita e tentar corrigir falhas na comunicação governamental. “O meu conteúdo tem duas missões. A primeira é desmascarar a direita bolsonarista diariamente. Se não sou eu destrinchando as mentiras deles e fazendo o confronto, a esquerda fica sem ninguém para fazer esse contraponto. A segunda meta é fazer aquilo que, infelizmente, o nosso governo não anda fazendo com alta qualidade: mostrar ao povo por que o Lula é melhor”, conclui.