O canal “Exército do Lula”, hospedado no WhatsApp, voltou a funcionar na tarde de um domingo. A retomada ocorreu após o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, anular uma ordem anterior emitida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. A resolução tem caráter provisório e passará pelo crivo do plenário da Corte.
Origem da disputa judicial
A determinação que havia derrubado a página aconteceu no início do mesmo dia, motivada por uma representação protocolada pela campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Gerenciado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG), o espaço conta com mais de 3 milhões de seguidores e serve para o envio de gravações em áudio, vídeos e diretrizes aos simpatizantes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição.
Na justificativa inicial para a derrubada, Nunes Marques apontou que a ferramenta estaria sendo utilizada para disseminar, de maneira organizada, informações que já haviam sido consideradas falsas pela Justiça Eleitoral. Segundo o ministro, havia “utilização de estrutura de transmissão a milhões de pessoas, sob comando único, para replicar conteúdos que esta Corte já reconheceu como inverídicos” antes da reversão comandada por Villas Bôas Cueva.
Reação da campanha governista
Antes da reviravolta jurídica, o presidente Lula contestou duramente a interrupção das atividades da página digital. Durante diálogo com repórteres na véspera de um ato político na Avenida Paulista, em São Paulo, o chefe do Executivo rotulou a medida como descabida e indicou que a defesa acionaria o tribunal.
“Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação do critério, porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, declarou.
O governista também defendeu a utilização do WhatsApp como instrumento de mobilização eleitoral e criticou outras determinações da Justiça Eleitoral envolvendo conteúdos de sua campanha.
“Estou desconfiado do comportamento da Corte eleitoral, que tem bloqueado muita gente nossa, e tem permitido que as ações dele continuem executando”, afirmou.
Posicionamento da oposição
Em contrapartida, Flávio Bolsonaro cobrou maior rapidez da Justiça Eleitoral na análise de conteúdos que considera enganosos e atribuiu à campanha de Lula a disseminação de informações falsas sobre sua candidatura.
“Espero que a Justiça Eleitoral seja mais ágil, porque os caras criaram até um canal de divulgação de mentiras em massa. É um absurdo”, afirmou o senador.
O candidato do PL também declarou que a circulação dessas mensagens prejudicaria o debate eleitoral e acusou o Partido dos Trabalhadores de utilizar informações falsas como estratégia de campanha.
“É uma coisa que causa uma revolta, a quantidade de mentiras que eles tão inventando, e é de propósito, é estratégia de campanha a mentira”, disse.
O veredito atual não encerra o embate jurídico sobre as denúncias levantadas pela chapa de Flávio Bolsonaro, restando ao plenário do TSE definir o desfecho definitivo do caso em meio à corrida pelo segundo turno, marcado para 25 de outubro.