Às vésperas de completar 93 anos no dia 24 de outubro, Goiânia ainda exibe em suas ruas centrais a forte influência da arquitetura art déco. Linhas retas, fachadas geométricas, janelas simétricas e ornamentos característicos marcam as edificações erguidas durante a implantação da capital goiana, transformando o cenário urbano em um verdadeiro museu a céu aberto.
Roteiro histórico pela Praça Cívica e região central
Embora algumas construções mantenham atividades administrativas ou escolares, várias delas foram reconvertidas em cinemas, teatros, bibliotecas e centros culturais. Com base em dados da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (Secult), um roteiro especial pelo Centro e pela Praça Cívica destaca sete endereços fundamentais para compreender essa herança arquitetônica e artística.
O Centro Cultural Marietta Telles Machado, inaugurado em 1933 com projeto de Attilio Corrêa Lima, destaca-se por concentrar o Cine Cultura, o Museu da Imagem e do Som (MIS), a Biblioteca Estadual Pio Vargas, a Biblioteca Braille e a Gibiteca Jorge Braga. O local, que já sediou órgãos estatais e o escritório técnico das obras da cidade, hoje abriga a própria sede da Secult Goiás. O nome é uma homenagem à intensa produtora cultural e escritora Marietta Telles Machado.
Espaços culturais e residências oficiais preservadas
Outro marco é o Teatro Goiânia, aberto em 1942 durante o Batismo Cultural da cidade. Projetado por Jorge Félix, o antigo Cine-Teatro Goiânia preserva elementos art déco e acolhe apresentações artísticas variadas. Tombado pelo Iphan em 2003, o espaço possui 710 lugares e homenageia figuras locais, batizando o edifício como Centro Cultural João Bennio e o hall de entrada como Tia Amélia, em referência à pianista Amélia Brandão.
Para quem deseja entender o cotidiano da fundação, o Museu Pedro Ludovico ocupa a antiga residência do ex-governador que liderou a transferência da capital. Projetada por Attilio Corrêa Lima entre 1934 e 1937, a casa exibe móveis e documentos originais do político e de sua esposa, Gercina Borges Teixeira. O espaço foi reaberto em fevereiro de 2026 após reformas e oferece visitas guiadas gratuitas com agendamento prévio.
Já o Museu Goiano Zoroastro Artiaga (Muza), reaberto em março de 2026 após um investimento de R$ 6,6 milhões em restauração, é considerado o primeiro museu da capital. Construído entre 1942 e 1943 pelo engenheiro Kazimierz Bartoszewski, o prédio na Praça Cívica guarda acervos de arqueologia, arte e itens relacionados ao Cerrado. O nome reverencia o intelectual Zoroastro Artiaga, pioneiro na preservação das tradições goianas.
Outros marcos arquitetônicos fundamentais
O Palácio das Esmeraldas, erguido entre 1933 e 1937 com traços de Attilio Corrêa Lima, permanece como a residência oficial do governador e sede do Executivo estadual na Praça Cívica, tendo passado por recentes restauros em seus vitrais e fachadas concluídos em maio de 2025.
Na área da educação, o histórico Lyceu de Goiânia exibe a vertente art déco voltada aos edifícios escolares. Com projeto inicial de Attilio Corrêa Lima e adaptações posteriores, o prédio passou por uma ampla reconstrução de R$ 20 milhões e foi reinaugurado em janeiro de 2026 como Centro de Ensino em Período Integral (Cepi), preservando sua estrutura original.
Por fim, a Antiga Chefatura de Polícia, inaugurada em 1937 e reestruturada com recursos de R$ 6,4 milhões do Iphan, ganhou novas funções voltadas à inovação. O local hoje sedia a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), o Instituto Mauro Borges (IMB), parte do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) e um espaço de coworking para startups.
Percorrer essas construções é uma oportunidade para redescobrir os detalhes urbanísticos que muitas vezes passam despercebidos na rotina dos moradores, celebrando o aniversário de Goiânia por meio de sua rica identidade visual e histórica.