Spfw 61 chega com menos marcas e foco em reflexão e novos formatos

A principal semana de moda do país inicia sua 61ª edição nesta terça-feira (13), marcando o encerramento das comemorações de seus 30 anos com um formato repensado e um line-up reduzido para 24 desfiles. Sob a frase guia de Ailton Krenak — “o futuro não existe, nós apenas o imaginamos” —, o evento reflete as transformações do setor e a busca por um novo recomeço após três décadas de atuação.

Transição de calendário e novos ares

Esta edição é a primeira realizada após o Rio Fashion Week em abril, consolidando o novo formato em que a capital fluminense ocupa o primeiro semestre e São Paulo o segundo, sob a gestão da empresa de entretenimento IMM. Para o fundador Paulo Borges, o momento pede reinvenção. “Depois dos 30, volta para o zero. Na prática, significa refazer tudo conforme o mundo está hoje”, diz.

A grade menor é resultado de um acompanhamento rigoroso de quase três anos que avaliou vendas, planos de negócios e a estrutura das marcas. “Ninguém foi expulso, não há portas fechadas”, afirma Borges, destacando que o critério principal é o desenvolvimento do negócio e a consistência da narrativa, além dos altos custos operacionais envolvidos. “Na hora que liga a luz do gerador, bota segurança, limpeza, todas as equipes, cada horário de desfile custa mais de R$ 300 mil”, aponta.

Arte, memória e identidade na passarela

O Pavilhão das Culturas Brasileiras, no parque Ibirapuera, abriga grande parte dos desfiles e também uma exposição com curadoria de Hanayrá Negreiros, que reúne 12 artistas focados em imaginários afro-brasileiros e originários. “Eu quis fazer um recorte pensando em imaginários brasileiros e quais símbolos podem contar a história do nosso país, inclusive neste momento. Um recorte político da curadoria é pensar esses imaginários afro-brasileiros e originários”, diz Negreiros.

No universo criativo, o estilista Antonio Castro, da Foz, traduz em sua coleção as incertezas e descobertas de uma viagem de carro entre São Paulo e Maceió. “Foi uma volta para casa de questionamentos. Não me encontrei ainda em São Paulo, mas também não me encontro mais em Maceió”, relata ele em seu ateliê.

Reflexões sobre o mercado e diversidade

O enxugamento do line-up gerou questionamentos sobre a redução de marcas comandadas por criadores negros, ponto que a organização atribui a exigências estruturais e não a critérios raciais. “Essas regras não mudaram. Não tem a ver com cor de pele, tem a ver com estrutura”, afirma Borges, pontuando que o projeto Estufa deve ser relançado em breve para apoiar novos talentos na base.

Enquanto assume os desafios da curadoria e dos cortes necessários, o diretor criativo reforça seu papel de incentivo ao mercado. “Se eu assumisse o papel de ceifador, estaria fazendo a coisa mais errada do mundo, porque aí não faço ninguém crescer”, diz. “Sempre alguém tem que ser responsabilizado. Não tem problema que seja eu, desde que as pessoas reflitam sobre o próprio negócio.”

A programação da SPFW segue até o próximo domingo (18), espalhando desfiles e experiências por diferentes pontos da capital paulista.

Deixe um comentário