O Senado vota nesta quarta-feira (14), em primeiro turno, a PEC que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais sem corte de salário e garante dois dias de descanso, conhecida como o fim da escala 6×1. A votação ocorre a 11 dias do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, após um primeiro turno em que Flávio terminou à frente, fazendo com que o assunto ganhasse forte tração na campanha.
Posicionamentos e alternativas dos candidatos
Enquanto Lula desafiou o adversário a votar a favor, Flávio não declarou voto, criticou a proposta e assinou outra, a PEC 12 de Rogério Marinho, coordenador da sua campanha, que cria a remuneração por hora trabalhada e faz o acordo individual prevalecer sobre a convenção coletiva. Os críticos chamam essa alternativa de escala 7×0, apelido que o TSE, em decisão liminar, entendeu não corresponder ao texto.
Repercussão e volume de conversas nas redes sociais
Em levantamento conduzido entre 21 de setembro e 11 de outubro pela inteligência de narrativas da Palver em mais de 100 mil grupos públicos de aplicativos de mensagens, além de X, Instagram, TikTok e Kwai, constatou-se que, entre as mensagens que tomam posição, 95% são a favor do fim da escala 6×1 nas redes sociais e 88% nos aplicativos de mensagem. A abertura da discussão no plenário em 6 de outubro quase não alterou esse quadro, variando de 96% para 93% nas redes sociais e de 90% para 87% nos aplicativos de mensagem.
Argumentos favoráveis e contrários ao tema
O argumento de quem apoia a proposta gira em torno do tempo, e a narrativa de “descanso, família e dignidade” aparece em 66% das opiniões a favor nas redes sociais e em 50% nos aplicativos de mensagem, onde outros 19% usam o tema para comparar Lula e Flávio. Do outro lado, a minoria contrária, de 12% nos aplicativos de mensagem, critica o conteúdo da proposta e não o momento da votação. Entre as críticas, 46% das opiniões contra o fim da 6×1 falam do “custo para as empresas e do emprego”, 18% da “liberdade de escolha” e apenas 13% acusam “uso eleitoral da votação”.
Impacto na imagem dos presidenciáveis
Flávio Bolsonaro é um dos personagens centrais dessa conversa e o mais criticado, sendo citado em 51% das mensagens sobre o tema nas redes sociais e em 59% nos aplicativos de mensagem, à frente de Lula, com 31% e 32%, e muito à frente do Congresso, que aparece em 11% a 14%. Entre essas menções a Flávio, apenas 6% são positivas nas redes sociais e 8% nos aplicativos de mensagem, com o pior resultado no TikTok, onde ficam em 3%. Por sua vez, o presidente Lula tem o tema a seu favor, e entre as mensagens que o citam, 88% são positivas nas redes sociais e 75% nos aplicativos de mensagem, embora tenham sofrido queda na semana em que o Senado abriu a discussão.
A PEC chega ao plenário a 11 dias de um segundo turno apertado, e a votação desta quarta-feira pode obrigar Flávio, como senador, a registrar a posição que evitou declarar. Até o momento o tema mobilizou pouco em comparação a outras pautas do ano, mas, se a votação recolocar o assunto no centro da conversa, um tema com esse grau de consenso pode movimentar votos na reta final.