Cimed investe R$ 80 milhões em K-Beauty e lança a marca Mili

Com o objetivo de disputar espaço com multinacionais do setor de consumo e avançar além do mercado de genéricos, a Cimed anunciou a criação da Mili, sua nova marca de cuidados com a pele inspirada nas rotinas sul-coreanas de beleza. O projeto recebeu um aporte de R$ 80 milhões e foi desenvolvido em conjunto com o laboratório asiático GDK Cosmetics, após a instalação de um centro de inovação da empresa no país oriental.

A aposta na tendência do K-Beauty no Brasil

A entrada no segmento ocorre em um cenário de rápida expansão desse mercado. Dados do Korea Customs Service revelam que a importação de cosméticos da Coreia do Sul para o Brasil disparou 951% em um único ano, totalizando US$ 54,3 milhões (cerca de R$ 270 milhões) em 2025. O movimento também atraiu outros players, como a RD Saúde por meio da unidade Raia Conceito.

Para viabilizar a iniciativa em território nacional, a empresa precisou estruturar a adequação sanitária das fórmulas. “[A imersão] não foi só para mapear o mercado [sul-coreano], mas para saber como a gente regulamenta esses princípios ativos desenvolvidos lá aqui no Brasil com a Anvisa”, diz João Adibe Marques, CEO da Cimed.

Especialistas avaliam que a força logística da farmacêutica pode impulsionar o nicho no país. “Isso está começando a crescer no Brasil. Nós devemos ter uma presença mais forte de marcas e de tecnologia sul-coreana, principalmente em skincare, e acho que a Cimed entra nisso com capacidade de distribuição para fazer uma grande escala”, diz o consultor Alberto Serrentino, cofundador do IRTT (Instituto Retail Think Tank).

Portfólio em expansão e inspiração asiática

A nova linha estreia com sete itens voltados à regeneração e ao cuidado facial, contemplando máscaras e cremes, além de reforçar a gama da Milimetric, voltada a procedimentos estéticos injetáveis. Tendo o conglomerado sul-coreano Amorepacific como referência, a meta futura é disponibilizar de 60 a 100 produtos, com tíquete médio entre R$ 100 e R$ 200.

“Mili é a marca-mãe. Depois, a gente vai brincando com os princípios ativos. São máscaras, cremes faciais, cremes antirrugas e olheiras, e assim vai”, afirma Adibe.

Estratégia de consumo e busca por recorrência

Após atingir ampla visibilidade com o hidratante labial Carmed, o isotônico FlyNow e produtos de higiene pessoal, a companhia direciona seus esforços para itens fora do setor farmacêutico tradicional, buscando concorrer com nomes de peso como Unilever e P&G.

“A nossa janela de crescimento é no ‘não medicamento’. É onde a gente vai acelerar a nossa empresa para virar uma empresa de consumo, criando novas categorias. Quando eu trago uma categoria de K-Beauty para o Brasil, eu estou agregando ao varejo uma nova oportunidade de poder aumentar o fluxo dentro da loja dele e crescer o faturamento”, diz Adibe.

Embora dermocosméticos ofereçam margens melhores, o principal desafio corporativo será reter o público. “A Cimed já demonstrou que sabe gerar desejo e experimentação com o Carmed, por exemplo. A empresa conseguiu transformar um produto relativamente funcional, um hidratante labial, em um objeto de desejo, com uma comunicação muito conectada ao consumidor jovem. Agora, precisa demonstrar que sabe construir recorrência, fidelidade e rentabilidade”, diz Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores.

“Nas categorias mais comoditizadas, como determinados produtos de higiene pessoal, a competição por preço é muito intensa. O consumidor compara facilmente e o varejo pressiona as condições comerciais. Mas em categorias de produtos associados a tendências de beleza, existe maior espaço para diferenciação e percepção de valor”, complementa a especialista.

Em 2025, a Cimed alcançou receita líquida de R$ 3,07 bilhões — alta de 12,5% frente ao período anterior —, embora o lucro líquido tenha recuado 30%, fechando em R$ 196,7 milhões. Apoiada em uma estrutura de 26 centros de distribuição e presença em mais de 90 mil pontos de venda, a companhia prevê atingir um faturamento de R$ 4,5 bilhões neste ano e superar os R$ 5 bilhões em 2027.

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