Elisa Signates aponta que termos pejorativos afastam eleitores da esquerda

Termos pejorativos direcionados a eleitores conservadores funcionam como barreiras para a construção de pontes políticas, segundo avaliação da professora e pesquisadora Elisa Signates, graduada em Ciências Sociais, especialista em Políticas Públicas e mestre em Sociologia. Para a especialista, a desqualificação de adversários prejudica a escuta de pautas legítimas e aprofunda o abismo entre correntes ideológicas distintas.

O impacto de rótulos pejorativos no debate político

De acordo com a pesquisadora, a perpetuação de um tom jocoso por parte de alguns apoiadores do Partido dos Trabalhadores gera um cenário de hostilidade. O longo período da sigla no comando do Executivo federal estimulou, na visão dela, uma postura de desdém que afasta parcelas expressivas da população.

“Expressões como ‘pobre de direita’ ou ‘CEO de MEI’, que ganhou bastante repercussão, são exemplos disso. São termos que acabam ridicularizando determinados grupos sociais e desconsiderando suas preocupações”, afirma a socióloga.

Esse comportamento gera um sentimento de rejeição e incompreensão nos cidadãos que se alinham ao campo conservador. Elisa ressalta que as críticas direcionadas a gestões petistas possuem embasamento real e merecem atenção, assim como ocorre com qualquer administração pública.

“Estas pessoas se sentem ofendidas e passam a ter a percepção de que suas reivindicações não são legítimas. Mas elas são. Existem críticas válidas ao PT, assim como a qualquer outro governo”, pontua.

Limites democráticos, violência e o apelo da extrema-direita

Ao debater os limites da atuação da oposição e a preservação institucional, a pesquisadora aponta que a deterioração do debate público se manifesta na intolerância e na ruptura das vias de conversação.

“Acredito que esses limites começam a ser ultrapassados quando há violência ou quando as pessoas deixam de conseguir dialogar. Atualmente, temos dificuldade até mesmo de reunir duas pessoas com posições políticas diferentes, uma de direita e outra de esquerda, para um debate”, analisa.

A força da extrema-direita reside na capacidade de mobilizar afetos e valores tradicionais e religiosos por meio de discursos de forte apelo emocional, a exemplo do lema “precisano salvar o Brasil”. A incapacidade de outros espectros políticos em decodificar essa conexão restringe o alcance de propostas alternativas junto a essa base.

Avaliação sobre o perfil político de Flávio Bolsonaro

A entrevista também abordou cenários eleitorais futuros e a hipótese de uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro pautada por um liberalismo econômico mais moderado, nos moldes atribuídos a Michel Temer. Para a especialista, a habilidade de negociação do parlamentar é evidente, embora isso não afaste receios quanto aos propósitos de seu grupo político.

“Flávio Bolsonaro tem um perfil diferente do pai. Na minha avaliação, ele demonstra maior capacidade de articulação política e de elaboração de estratégias”, destaca.

Embora reconheça a competência estratégica do senador na construção de acordos, Elisa faz ressalvas sobre o peso dessa habilidade na prática institucional. O temor reside na aplicação dessa destreza em favor de medidas que possam impactar negativamente setores vulneráveis da população.

“Portanto, não considero Flávio Bolsonaro uma figura politicamente despreparada. Pelo contrário, acredito que ele tenha capacidade de negociação e articulação”, complementa.

Por fim, a pesquisadora estabelece um paralelo com a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja bagagem política foi lapidada ao longo de décadas de atuação no movimento sindical, conferindo-lhe a alcunha de “animal político” devido à vasta experiência em negociações complexas.

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