A dona do WhatsApp, Facebook e Instagram, Meta, informou na última quarta-feira (14) a suspensão temporária da sua inteligência artificial para a criação de imagens de políticos e recomendações de candidatos. A decisão ocorreu logo após auditorias apontarem que a ferramenta gerava conteúdos visuais associados a Flávio Bolsonaro (PL), mas recusava pedidos equivalentes direcionados ao presidente Lula (PT), principais nomes no segundo turno da disputa eleitoral.
Disparidades em testes práticos
Verificações realizadas revelaram que o assistente virtual produzia logotipos rapidamente quando recebia solicitações acompanhadas pelo nome “Flávio” e o número 22. Contudo, ao receber comandos idênticos utilizando “Lula” e o número 13, o sistema alegava incapacidade de concluir a tarefa. O mesmo comportamento desigual ocorreu quando a instrução incluiu o verbo de apelo eleitoral.
Questionado sobre as falhas durante os testes, o próprio sistema de IA tentou justificar a recusa alegando travas de segurança voltadas para figuras públicas. Apesar disso, tentativas adicionais demonstraram que o funcionamento da ferramenta apresentou oscilações, variando conforme a conta e a plataforma digital utilizada pelos usuários.
Ação jurídica e justificativa oficial
Diante do tratamento diferenciado, a equipe jurídica que representa a candidatura de Lula protocolou uma representação formal junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na petição, os advogados apontaram uma suposta seletividade algorítmica, argumentando que o mecanismo estaria beneficiando o adversário político ao barrar a propagação de material visual favorável ao atual mandatário.
Em nota oficial, a corporação argumentou que a interrupção parcial dos recursos visuais e de recomendação política serve para garantir o respeito às normas da Justiça Eleitoral no país. Por sua vez, o TSE declarou que adota a diretriz de não emitir comentários prévios sobre situações específicas que possam vir a ser alvos de litígios judiciais.
O alcance da ferramenta
A tecnologia envolvida opera como um assistente integrado a redes sociais populares, como o próprio aplicativo de mensagens instantâneas, além do Instagram e do Facebook. O recurso tecnológico é amplamente utilizado por internautas para solucionar dúvidas, gerar textos variados e produzir conteúdos gráficos de forma automatizada.
Com a nova diretriz, a empresa busca conter controvérsias e padronizar o comportamento de seus algoritmos diante das exigências do período eleitoral brasileiro.