O Atlético-GO carrega um dos apelidos mais marcantes do futebol brasileiro, mas poucos conhecem a verdadeira origem do seu mascote. A figura mítica está diretamente conectada ao antigo Cine Campinas, em Goiânia, e às exibições de seriados de aventura nas décadas de 1930 e 1940.
A influência do Cine Campinas e de Fu Manchu
Conforme pesquisas do historiador Horieste Gomes e registros do próprio clube, os torcedores e dirigentes pioneiros frequentavam o cinema localizado na Avenida 24 de Outubro. Nesses locais, as sessões de filmes traziam aventuras de personagens como Flash Gordon, Zorro, Capitão Marvel e as tramas estreladas pelo vilão Fu Manchu, que comandava um grupo chamado “Dragão Vermelho”. As exibições repetidas de criaturas fantásticas e passagens secretas fincaram a imagem no imaginário popular do bairro onde a equipe nasceu em 1937.
De símbolo informal a apelido consagrado
Embora não exista um documento exato cravando o dia da adoção do mascote, a consolidação ocorreu entre o fim dos anos 1930 e a década seguinte, período em que o time conquistou importantes títulos do Campeonato Goiano, como em 1944, 1947 e 1949. A força da alcunha ganhou coro inclusive na música, aparecendo eternizada no “Canto do Guerreiro”, interpretado pelo seresteiro Josafá Nascimento.
A criação do Dragolino e a homenagem a Lino
Se o animal mitológico representa a instituição desde os tempos áureos de Campinas, o personagem interativo conhecido hoje como Dragolino possui uma raiz mais recente e emocionante. O nome nasceu após a decisão do Campeonato Goiano de 2014, quando o rival jogava pelo empate. Aos 48 minutos do segundo tempo, o ex-zagueiro Lino balançou as redes de cabeça, decretando o triunfo por 1 a 0 e o caneco para o rubro-negro. A junção de “dragão” com “Lino” batizou a figura oficial, eternizando a memória do defensor após o seu falecimento em 2024.
A fusão entre a cultura das antigas salas de cinema de Goiânia e os momentos de gloria em campo moldou a identidade única do Atlético-GO ao longo das décadas.