O funcionário do Hospital Samaritano, localizado no Setor Coimbra, em Goiânia, que matou a facadas um homem suspeito de furtar fios de cobre da instituição, recuperou a liberdade horas após o episódio ocorrido na manhã de quinta-feira (15). A Justiça concedeu a liberdade provisória sem a exigência de fiança e sem impor medidas cautelares durante a audiência de custódia.
Decisão judicial e dinâmica do crime
O juiz Jesseir Coelho de Alcântara avaliou que a prisão em flagrante foi realizada de maneira correta, mas concluiu que não havia justificativa para converter a detenção em prisão preventiva. O caso teve início por volta das 5h20, quando o vigilante flagrou um grupo cometendo o crime na área externa da unidade de saúde.
De acordo com relatos da Polícia Militar, dois suspeitos conseguiram escapar do local. O terceiro homem entrou em luta corporal com o funcionário e acabou sendo atingido por três golpes de faca nas costas, não resistindo aos ferimentos antes da chegada do socorro do Corpo de Bombeiros. O próprio vigilante sofreu ferimentos em uma de suas mãos durante o confronto.
Versão do funcionário e alegação de legítima defesa
Em seu depoimento, o trabalhador detalhou que a ação criminosa contava com divisão de tarefas entre os envolvidos. “O pronto-socorro fica em uma descida e, nessa descida, do lado, tem vários geradores de ar-condicionado, e ele estava roubando essas fiações. Um estava cometendo o ato e os outros dois estavam de vigia”, explicou.
O vigilante sustentou que reagiu estritamente para salvar sua integridade física após o avanço do suspeito. “Na hora que ele me viu, ele se assustou. Aí ele veio até minha direção, ele tirou uma outra faca do bolso dele. Aí eu não consegui nem pensar direito, eu só queria preservar a minha vida. Aí deu no que deu”, declarou.
Atuação da defesa e próximos passos
O advogado Eliezer Sousa representou o funcionário e solicitou a soltura com base nos artigos do Código de Processo Penal, argumentando que a prisão preventiva é excepcional. A defesa destacou o trabalho formal, residência fixa e os documentos médicos que comprovam as lesões sofridas pelo trabalhador.
“A própria autoridade policial, Excelência, consignou a necessidade de apreciação definitiva, depois de tudo isso, pelo Poder Judiciário”, afirmou o defensor na audiência. O magistrado ressaltou que a tese de legítima defesa será aprofundada durante as investigações conduzidas pela Polícia Civil de Goiás.
Após a confusão, o funcionário ainda conseguiu perseguir e capturar outro participante da tentativa de furto, que permanece detido. A investigação prossegue para esclarecer todos os detalhes do caso.