Disputa presidencial: Flávio Bolsonaro e Lula da Silva travam duelo acirrado

No primeiro turno, sobretudo nos 10 dias que antecederam o pleito, deu-se um fenômeno. A extrema direita, representada pelo candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro, do PL, começou, de repente, a arrebanhar os votos da direita (Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Renan Santos e Romeu Zema).

O impacto do voto útil e dos apoios políticos

Trata-se do velho e eficaz voto útil. Aqueles que não queriam a vitória do presidente Lula da Silva, do PT, saltaram da canoa da direita para o iate da extrema direita. Falou mais alto, por assim dizer, o antipetismo, o antilulismo. (Se não fosse isto, o político red poderia ter sido mais votado que o candidato da direita.)

Por isso, Flávio Bolsonaro superou Lula da Silva, obtendo 56.104.503 votos contra 53.879.538 do adversário. A diferença pró-candidato do Partido Liberal foi de 2.224.965 votos. Flávio Bolsonaro conquistou 47,03% e Lula da Silva ficou com 45,16% dos votos válidos. A diferença entre os dois foi de 1,87 pontos percentuais. O que prova que o voto útil foi decisivo para “colocar” o membro do Partido Liberal em primeiro lugar.

Cenário de empate técnico e cautela nas análises

A pesquisa do instituto Datafolha, divulgada na quinta-feira, 15, exibe números parecidos. Flávio Bolsonaro aparece com 47% e Lula da Silva com 45%. Trata-se de um quadro de empate técnico. A possibilidade de vitória é maior para Flávio Bolsonaro. Mas Lula da Silva está no retrovisor, colado, lutando para fazer a ultrapassagem. A expectativa de poder está nas mãos dos dois candidatos. Tanto um quanto o outro pode ganhar.

Recomenda-se cautela nas análises. É preciso esperar as pesquisas da próxima da semana para que se possa entender o que realmente está acontecendo. Os dois candidatos estão “estagnados”, com ligeira vantagem para o postulante do PL.

A movimentação das ruas e a reação do eleitorado

O petismo havia perdido o jogo das ruas para a extrema direita bolsonarista. No segundo turno, como num passe de mágica, o PT ressurgiu nas ruas, atraindo multidões nas praças e avenidas, em todo o país — inclusive em Goiânia. No domingo, 11, um repórter do Jornal Opção conversou com eleitores idosos que foram à Praça Universitária e, de lá, desceram a Avenida Universitário até a Praça Cívica. Tais votantes se disseram preocupados e com “medo” do bolsonarismo, apontado o caráter imprevisível dos Bolsonaros.

A enfermeira Rita Bastos, de 85 anos, foi explícita: “Sou aposentada e tenho receio do que Flávio Bolsonaro poderá fazer com meus ganhos”. Darci Lázara Costa, de 72 anos, disse ter “medo” do que o bolsonarismo, “servindo ao mercado, poderá fazer com os pobres”. A estudante de engenharia Anna Clara, cadeirante, disse que aquilo que “falta” no candidato do PL, “humanidade”, “sobra” em Lula da Silva. A jovem postula que o petista quer “integrar” todas as pessoas. Já “o bolsonarismo”, na sua opinião, “é excludente”.

Por outro lado, no campo da direita, as pessoas dizem que Lula da Silva e o PT estão “superados”. Há, inclusive, eleitores que não se consideram de direita, mas não querem “continuar” com o petista. Josué Oliveira, motorista de Uber, é enfático: “Votei em Lula em 2022, mas agora quero arriscar com Flávio Bolsonaro. O custo de vida está muito alto e não vejo o governo interferindo para abaixá-lo. Trabalho 12 horas por dia, até a Uber bloquear meu sinal, e, ainda assim, meu dinheiro não está ‘durando’ até o dia 30”.

As próximas pesquisas serão decisivas. Se descolar — pelo menos com quatro pontos percentuais à frente de Lula da Silva —, Flávio Bolsonaro poderá ser eleito presidente. Porém, se Lula da Silva crescer um ou dois pontos percentuais, empatando ou superando Flávio Bolsonaro, a expectativa de poder passará para suas mãos. Só as urnas irão revelar quem comandará o Brasil nos próximos quatro anos.

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