Goiânia aos 93 anos: os desafios de equilibrar metrópole e interior

A capital goiana completou 93 anos abrigando duas realidades distintas no mesmo espaço urbano. De um lado, permanece viva a cidade desenhada com avenidas planejadas e áreas verdes; do outro, expandiu-se a metrópole moldada pelo crescimento populacional, verticalização e pelas demandas cotidianas de milhões de habitantes.

Tradição e acolhimento na visão dos moradores

Para parte da população, a capital mantém uma atmosfera acolhedora e índices favoráveis de qualidade de vida. Comerciante no Parque Areião há mais de duas décadas, Nerivon Luis de Aguiar destaca a hospitalidade local. “A qualidade de vida de Goiânia sempre foi e sempre vai ser boa”, afirma o morador de 43 anos, que acrescenta: “Nós, goianos, somos muito acolhedores”. Ao celebrar sua trajetória, ele conclui: “Eu só quero agradecer a Deus por ter nascido goiano e quero falar também que no próximo [ano] eu quero ser goiano de novo”.

O abismo entre crescimento físico e desenvolvimento

Especialistas alertam que a expansão populacional nem sempre veio acompanhada de melhorias reais na infraestrutura. A arquiteta e urbanista Narcisa Abreu Cordeiro aponta que “Crescer significa ampliar a população, as construções e as atividades econômicas. Desenvolver-se significa também melhorar as condições de vida, garantir mobilidade, preservar o meio ambiente e proporcionar oportunidades mais equilibradas à população”. Ela resume o temor central: “Minha preocupação é que o crescimento físico nem sempre foi acompanhado pela mesma atenção à qualidade de vida”.

A evolução do projeto urbanístico original

Fundada em 1933 por Pedro Ludovico Teixeira e projetada inicialmente por Attilio Corrêa Lima, com reformas posteriores de Armando de Godoy, a cidade buscou simbolizar a modernidade brasileira por meio da arquitetura Art Déco e da geometria cívica. A doutora em Teoria e História da Arquitetura Jacira Rosa Pires analisa que “O projeto de Attilio Corrêa Lima expressava uma concepção de capital na qual a geometria urbana, a monumentalidade dos espaços cívicos e a hierarquia viária contribuíam para afirmar o poder público e a modernidade”. Contudo, a urbanista aponta o principal paradoxo atual: “A grande contradição de Goiânia é que ela preservou parte da forma de uma cidade planejada, mas perdeu parcela importante da capacidade de realizar, de maneira integrada, os princípios que orientaram sua concepção”.

Enquanto o trânsito intenso, as demandas na saúde pública e os desafios na educação testam a resiliência dos cidadãos, a capital goiana segue em busca de um modelo que concilie o avanço econômico, a preservação de suas áreas verdes e o bem-estar coletivo para as próximas gerações.

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