Emissões de gases estufa caem no brasil e atingem menor patamar em oito anos

O volume de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil registrou uma retração expressiva em 2025, alcançando o menor patamar dos últimos oito anos. O recuo de 6% no total de poluentes emitidos aproxima o país de cumprir formalmente a meta estabelecida pelo Acordo de Paris.

Queda histórica e dados do seeg

As informações foram divulgadas pelo Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), ligado ao Observatório do Clima. Em 2025, as emissões brutas nacionais totalizaram 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (GtCO2e). O resultado demonstra continuidade na tendência de baixa, visto que em 2024 o volume havia sido de 2,19 GtCO2e, após uma queda anterior de 13%.

No caso das emissões líquidas — indicador que desconta o crescimento de vegetação secundária e a remoção de carbono em áreas protegidas —, a retração foi ainda mais expressiva, chegando a 9%. Esse índice atingiu 1,41 GtCO2e, marcando o menor patamar registrado desde 2012.

Impacto do desmatamento e biomas

O principal motor para essa melhora ambiental foi a forte desaceleração da supressão de vegetação nativa, com destaque absoluto para os biomas Amazônia e Cerrado. Nos últimos três anos, a queda nas emissões líquidas decorrentes de mudanças no uso da terra despencou 81% em comparação com 2022, caindo de 860 milhões para 162 milhões de toneladas de CO2e.

Balanço oficial da Amazônia e do Cerrado

Conforme os registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por meio do Monitoramento Anual da Supressão da Vegetação Nativa (Prodes), a taxa consolidada de desmatamento na Amazônia Legal somou 5.731 km² no período avaliado entre 1º de agosto de 2024 e 31 de julho de 2025. O recuo percentual foi de 12,07% frente aos 6.518 km² medidos em 2024. Simultaneamente, o Cerrado também apresentou baixa de 11,4%, registrando 7.235,27 km², o menor índice em cinco anos.

Apesar do cenário positivo geral, a agropecuária manteve-se como a atividade econômica que mais emite poluentes no país, respondendo por 70% das emissões brutas quando somados os impactos diretos do setor e os reflexos indiretos ligados ao desmatamento. Para o ano de 2026, o Seeg projeta uma retração ainda mais acentuada, fundamentada nas menores taxas históricas de desmatamento já observadas em solo brasileiro.

Deixe um comentário