Moradores do estado de Goiás têm sido alvo de fraudes envolvendo faturas de energia elétrica adulteradas e páginas na internet que simulam o ambiente virtual da concessionária local. As cobranças falsificadas chegam aos consumidores por meio de mensagens instantâneas e correio eletrônico, trazendo dados confidenciais das vítimas para conferir uma falsa sensação de segurança.
Como os criminosos agem
De acordo com o delegado Caio Menezes, vinculado à Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), o esquema fraudulento se manifesta de duas maneiras principais. Na primeira abordagem, a pessoa recebe um documento de pagamento já preenchido com suas informações particulares e com a identidade visual da empresa de energia. Na segunda estratégia, a mensagem traz um link malicioso que direciona o usuário para um portal idêntico ao oficial, onde ele mesmo acaba gerando a guia falsa.
“Os boletos já vêm formulados com os dados dessa pessoa e com a identidade visual falsa da empresa. Os links, na verdade, são encaminhados para que, quando a vítima clicar, seja direcionada a um site também falso, muito parecido com o da Equatorial. Lá, ela é conduzida, passo a passo, a gerar esse boleto”, explica.
A concessionária de energia já notificou a delegacia especializada sobre a circulação desses documentos falsos. O apelo visual legítimo é o principal trunfo dos golpistas para induzir o pagamento das quantias.
Dados vazados facilitam a ação
Um erro comum dos consumidores é acreditar na veracidade de uma cobrança apenas porque nela constam nome completo, endereço ou outras informações precisas. Segundo a autoridade policial, dados pessoais circulam de forma ilegal há anos devido a invasões de sistemas, comércio clandestino de cadastros e incidentes de phishing.
“Temos uma quantidade absurda de dados pessoais que, muitas vezes, são comercializados ilicitamente. Mas não é só isso. Hoje, também existem invasões de bancos de dados e golpes nos quais os próprios consumidores acabam fornecendo suas informações”, afirma.
Por causa desse cenário, o delegado reforça que saber o nome ou o endereço da vítima deixou de ser um indicativo confiável. “O fato de o interlocutor saber seus dados pessoais, sejam quais forem, infelizmente, hoje não é mais fator de autenticação daquela conversa ou daquele documento”, alerta.
Prevenção e checagem autônoma
Para se proteger, a recomendação é realizar todas as verificações por meio de canais oficiais e independentes, sem interagir com o suposto cobrador ou clicar em endereços eletrônicos enviados por mensagens. Antes de concluir qualquer transação financeira, o consumidor deve conferir cuidadosamente o nome do beneficiário na hora de pagar boletos ou chaves Pix.
“Não deixe que o fraudador conduza a sua verificação. Não continue a conversa, não clique em links, não clique em arquivos. Você vai verificar de forma independente”, recomenda.
O que fazer após cair no golpe
A Polícia Civil ainda não possui um panorama numérico exato sobre o total de prejuízos ou de pessoas atingidas, visto que os boletins de ocorrência podem ser registrados em diferentes unidades policiais. Contudo, quem perceber que efetuou o pagamento de uma fatura fraudulenta precisa agir com extrema rapidez para tentar reaver o montante.
A primeira atitude é acionar a instituição financeira imediatamente através do aplicativo do banco. No caso de transferências instantâneas, é possível solicitar o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED) para tentar o bloqueio dos recursos. No entanto, o sucesso depende da agilidade, já que os criminosos costumam movimentar o dinheiro rapidamente.
“Caiu no golpe, imediatamente contesta no aplicativo bancário. Lá, a instituição vai orientar sobre o mecanismo de devolução. Depois, compareça à delegacia para que o fato seja investigado”, orientou o delegado.
Além de avisar o banco, é fundamental guardar comprovantes, capturas de tela e os arquivos recebidos para subsidiar a investigação policial que será aberta após o registro da ocorrência.