A reportagem multimídia “Um Brasil que desmorona” foi a grande vencedora da categoria na 48ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de jornalismo, em cerimônia realizada no Tucarena, Teatro da Pontíficia Universidade Católica em São Paulo. A jornalista Jade Abreu representou a equipe responsável pelo especial durante o evento na noite desta terça-feira (20/10).
Detalhes da cobertura especial
O trabalho vencedor teve como ponto de partida as consequências do desabamento da ponte Juscelino Kubitschek entre o Maranhão e o Tocantins, ocorrido em 2024. A partir desse episódio, a apuração revelou que a situação de precariedade não se restringe a um caso isolado no território nacional.
Para documentar os reflexos sociais, ambientais e econômicos da queda de pontes, a repórter Jade Abreu e o fotógrafo Breno Esaki percorreram 9.057,8 quilômetros. A dupla esteve presente em quatro estados distintos: Amazonas, Maranhão, Rio Grande do Sul e Tocantins.
Dados inéditos e isolamento
Durante a apuração, os profissionais conversaram com caminhoneiros, comerciantes, moradores locais e famílias enlutadas nas margens das rodovias. A escuta revelou um sentimento generalizado de abandono, aborrecimento e isolamento entre os entrevistados, apesar das particularidades de cada região visitada.
A investigação também obteve informações inéditas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) a respeito do estado de conservação de pontes em rodovias federais. O levantamento mapeou 775 estruturas avaliadas em situação ruim ou crítica e apontou que os investimentos na recuperação viária foram, em média, 40% inferiores aos valores solicitados pelos técnicos do Dnit nos sete anos anteriores.
Outros vencedores e histórico
Na mesma categoria multimídia, a premiação também contemplou os trabalhos “Moinho de Gente”, do Intercept Brasil, e “Ouro, escavadeiras e fuzis”, assinado por InfoAmazonia e Amazon Underworld.
Criado há 48 anos, o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Diretos Humanos homenageia o jornalista assassinado pela ditadura militar em 1975, consolidando-se como uma das honrarias mais tradicionais da imprensa nacional.