Um edifício redondo situado no Centro de Goiânia, abandonado há aproximadamente três décadas, poderá ter suas obras retomadas para abrigar apartamentos de aluguel por temporada, incluindo opções na plataforma Airbnb. A estrutura tem sua origem a mais de 8 mil quilômetros de distância da capital goiana, tendo como referência arquitetônica a sede da gravadora Capitol Records, localizada em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Origem inspirada na Califórnia e planos iniciais
A trajetória do imóvel teve início em 1991, quando o empresário Ely Pascoal encomendou à arquiteta Tânia F. um projeto para instalar o laboratório de análises clínicas Nobel e consultórios de saúde. O formato circular veio de um esboço inspirado em um parafuso e na Capitol Records Tower, inaugurada em 1956 na Califórnia. Projetada por Louis Naidorf, a torre americana de 13 pavimentos possui formato cilíndrico que remete a uma pilha de discos.
A construção em solo goiano começou apenas em 1994, mas avançou por cerca de um ano até parar no final de 1995 devido a problemas financeiros, falta de pagamentos e reflexos econômicos do Plano Real. O investimento até a paralisação atingiu cerca de 30% do total necessário. Em 2012, o bem foi transferido para um fundo de investimento da Guardiã Imóveis, sem que houvesse a conclusão dos serviços.
Novo projeto municipal e segurança reforçada
O futuro da estrutura voltou ao debate público quando o prefeito Sandro Mabel anunciou que os atuais proprietários pretendem recuperar o prédio e convertê-lo em unidades residenciais de curta duração. A proposta surgiu após vistorias motivadas por reclamações sobre ocupações irregulares e riscos apontados pela Polícia Militar. Como exigência imediata, os donos deverão reforçar o isolamento do terreno com muros, portões e concertinas.
Apesar da avaliação municipal favorável sobre o aproveitamento das fundações e lajes, a iniciativa ainda carece de aprovação formal e não possui cronograma definido. O prefeito declarou que os donos têm prazo para solucionar o problema, sob risco de demolição.
Estudos acadêmicos e revitalização central
Antes do anúncio oficial, a construção atraiu olhares de estudantes de arquitetura. Em 2017, Matheus Vaz propôs transformá-lo em hostel na UFG, enquanto Gabriela Siqueira Nascimento sugeriu um centro de artes na PUC Goiás em 2025. A nova proposta alinha-se aos esforços para impulsionar a ocupação residencial no centro da cidade, dando utilidade a um dos marcos urbanos mais famosos da região.
A viabilidade do empreendimento agora depende da aprovação dos órgãos competentes, da superação de barreiras estruturais e da execução dos reparos necessários para que o edifício deixe de ser apenas uma lembrança inacabada na paisagem urbana.