Apenas um PM condenado por tortura em Goiás segue na ativa

Apenas um dos dez policiais militares de Goiás condenados por tortura pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) continua no serviço ativo. A informação foi confirmada pela Polícia Militar de Goiás (PMGO), que informou ainda não ter sido notificada oficialmente sobre o acórdão para executar a decisão judicial.

Condenação por tortura em Trindade

O caso ocorreu em junho de 2010, na cidade de Trindade. De acordo com a investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF), um jovem inocente foi capturado sem mandado e submetido a cerca de três horas de agressões físicas, ameaças, choques elétricos e afogamento simulado para forçar uma confissão.

As penas impostas pelo TRF1 variam entre sete e oito anos de prisão em regime inicialmente fechado. Além das sanções penais, o colegiado determinou a perda dos cargos públicos e a interdição para exercer funções públicas pelo dobro do tempo da condenação. Os agentes também deverão pagar indenizações por danos morais fixadas em cinco vezes a remuneração bruta mensal de cada envolvido.

Situação funcional dos agentes

Questionada sobre o paradeiro dos condenados, a instituição militar esclareceu que nove deles já não integram o quadro ativo, embora não tenha detalhado se foram desligados em definitivo ou se passaram para a reserva remunerada. O caso já havia gerado controvérsia anterior, como em janeiro de 2018, quando reportagens apontaram que seis dos acusados chegaram a ser promovidos na hierarquia da corporação.

Em nota oficial enviada à imprensa, a instituição se manifestou sobre o andamento jurídico do caso:

“A PMGO adotará as providências cabíveis tão logo seja formalmente cientificada, em observância às determinações judiciais e à legislação vigente.”

A corporação também acrescentou:

“Eventuais desvios de conduta serão apurados, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.”

Contexto e repercussão jurídica

A manutenção das sentenças ocorre sob a égide da Lei nº 9.455/1997, que rege os crimes de tortura no país. Paralelamente, o próprio TRF1 implementou em outubro deste ano um novo fluxo interno voltado ao monitoramento rigoroso de casos de violência e tratamentos cruéis em sua jurisdição, que abrange o estado de Goiás.

A nota da Polícia Militar enviada na íntegra reforça o posicionamento da instituição:

“A Polícia Militar do Estado de Goiás reafirma seu compromisso com a legalidade e o respeito aos direitos humanos e às garantias fundamentais.”

“Em relação ao caso mencionado, a Corporação esclarece que acompanha a tramitação do processo e que, até o momento, não foi oficialmente comunicada para dar cumprimento à decisão judicial. A PMGO adotará as providências cabíveis tão logo seja formalmente cientificada, em observância às determinações judiciais e à legislação vigente.”

“A PMGO esclarece que, dos dez policiais militares envolvidos, apenas um permanece atualmente no serviço ativo da Corporação.”

“A Polícia Militar de Goiás reafirma seu compromisso com a legalidade, a responsabilidade funcional e a transparência. Eventuais desvios de conduta serão apurados com rigor, assegurados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.”

Deixe um comentário