A companheira de Kaio Kalton de Brito Soares, Kiuane Vitória Batista, viajou até Goiânia ao lado da sogra para buscar esclarecimentos sobre o jovem. Ele acabou preso em flagrante após atacar a professora aposentada Elizabeth Caramaschi, de 79 anos, utilizando uma garrafa de vidro quebrada nas proximidades do Parque Vaca Brava, no Setor Bueno.
Histórico de mudanças comportamentais
Em entrevista, Kiuane revelou que o companheiro sofreu um traumatismo craniano decorrente de um acidente automobilístico em 2019 e, desde aquele episódio, passou a manifestar alterações psicológicas preocupantes, isolando-se com frequência.
“O Kaio sempre foi muito tranquilo, uma pessoa trabalhadora, no canto dele. Ele não gostava de sair e ficar se encontrando com muita gente. Eram poucas as pessoas em quem ele confiava. Em 2019, ele sofreu um acidente e teve um traumatismo craniano. Era para ele fazer uma ressonância, para verificar se tinha ficado com alguma sequela, mas ele nunca quis fazer esse exame”, destacou.
Conforme o relato, os episódios duravam cerca de duas horas e, em seguida, ele retomava a postura habitual, alegando não se recordar do ocorrido. O jovem também recusava qualquer iniciativa dos familiares para buscar avaliação médica especializada.
“Desde esse acidente, ele começou a falar sozinho, a dizer que escutava vozes e a ficar mais no canto dele. Quando estava assim, pegava o celular, ia para um canto, ficava ouvindo música e conversando sozinho. Toda vez que a gente falava para ele fazer uma ressonância ou procurar um médico, ele dizia que não precisava. Falava que, se tinha nascido do jeito que nasceu, iria morrer do jeito que nasceu e que não precisava de tratamento.”
Período de desaparecimento
Antes do episódio na capital goiana, Kaio estava desaparecido há 22 dias após sair para trabalhar. A companheira confirmou que ele não possuía antecedentes de sumiço e que a polícia local foi acionada na época.
“Toda vez que entrávamos em contato com a polícia responsável, eles falavam para ficarmos tranquilos, porque estavam fazendo o trabalho deles. Diziam que não era para ficar mandando mensagem nem nada”, relatou.
Durante as buscas, parentes receberam informações de que o rapaz caminhava às margens de rodovias com uma garrafa de água. Ele nunca havia estado em Goiânia e não mantinha vínculos na região.
Descoberta da prisão
A família só tomou conhecimento da prisão ao ver a cobertura jornalística do caso envolvendo a docente da Universidade Federal de Goiás (UFG).
“Eu estava no meu serviço quando a mãe dele me ligou, falando que uma amiga tinha contado que, na tarde do dia 19, havia passado na televisão que o Kaio tinha agredido uma pessoa. Só que nós não sabíamos se, de fato, era ele. Assim que desligou, ela me ligou novamente, falando que estava passando na televisão naquele momento, e me mandou a gravação. Era ele mesmo, só que estava irreconhecível. Não estava nem um pouco parecido com a mesma pessoa que saiu de casa naquele dia”, reforçou.
Linha de investigação policial
A Polícia Civil apura a suspeita de que o ataque tenha ocorrido durante um surto psicótico. Conforme a corporação, o investigado perseguia outra pessoa antes de desferir os golpes contra a idosa, com quem não tinha qualquer vínculo prévio.
“Não encontramos nenhuma relação, nenhum motivo para ele ter agredido essa mulher”, afirmou Telles.
O caso inicialmente sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher foi transferido para a Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH). O suspeito segue detido à disposição da Justiça.