O senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu desculpas publicamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após utilizar um apelido pejorativo para se referir ao petista durante o debate transmitido pela TV Globo na sexta-feira (23/10).
O pedido de desculpas e a discussão sobre impostos
A tensão ocorreu enquanto os dois discutiam sobre a tarifa zero nos transportes públicos aos finais de semana e a política econômica da gestão federal. Na ocasião, o parlamentar criticou a carga tributária do país fazendo alusão à deficiência física do chefe de Estado.
“Não adianta nada o salário mínimo de R$ 1,6 mil se você dá com uma mão e tira com os nove dedos”, disse Flávio durante o programa.
Diante da repercussão da fala, o senador voltou ao microfone para se redimir do episódio. “Lula, se eu te ofendi porque eu te chamei de ‘nove dedos’, então eu te peço desculpas de verdade. Não queria te ofender. Te peço desculpas de verdade”, afirmou.
Reação firme e cobrança de retratação
A declaração original provocou forte reação do presidente da República, que exigiu uma retratação imediata e aproveitou para resgatar o episódio histórico em que sofreu a mutilação. “Quem perdeu o dedo com 17 anos fui eu, trabalhando de noite que não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Não vou permitir”, declarou.
Além disso, o petista elevou o tom das críticas ao questionar o histórico profissional do oponente político. “Ele não sabe o que é carteira de trabalho, o primeiro emprego dele foi falso, no gabinete do pai”, acusou.
Origem da lesão na juventude
O acidente que resultou na perda do dedo mínimo da mão esquerda de Lula aconteceu em 1964, na Metalúrgica Independência, localizada no estado de São Paulo. Na época, ele exercia a função de torneiro mecânico. Durante o turno da madrugada, uma prensa mecânica esmagou sua mão no momento em que tentava fazer a substituição de uma peça defeituosa. Registros da época indicam que o trabalhador precisou aguardar até o amanhecer para conseguir atendimento médico hospitalar.
O episódio marcou um dos momentos mais tensos do confronto televisivo, evidenciando o alto grau de polarização e o histórico de embates pessoais entre os principais nomes da política nacional para a corrida eleitoral.