Goiás falha na meta de vacinação contra pólio e tem cidades abaixo de 40%

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) alertou que o território goiano continua sem alcançar a meta de imunização contra a poliomielite. De acordo com os números parciais registrados entre janeiro e agosto de 2026, a cobertura em bebês com menos de um ano atingiu 86,76%, patamar inferior aos 95% exigidos pelo Ministério da Saúde. Diante desse cenário, a gestão estadual reforça a necessidade de intensificar tanto a aplicação dos imunizantes quanto o monitoramento de eventuais ocorrências suspeitas para barrar o retorno do vírus.

Cenário regional e desigualdade nos municípios

Apesar da alta gradual observada nos últimos anos — saindo de 80,49% em 2023 para 83,95% em 2024 e 85,17% em 2025 —, o índice atual ainda deixa a desejar. Em 2026, a média nacional ficou em 88,32%, também abaixo do recomendável. Segundo Cristina Laval, superintendente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da SES-GO, nenhuma região do estado conseguiu atingir o patamar ideal de forma homogênea.

“Desde 2023 a gente vem melhorando as coberturas vacinais, mas não existe no estado nenhuma região, nenhuma macrorregião que esteja com as coberturas bem próximas de 95%. A gente ainda tem um caminhozinho para percorrer para chegar nessa meta”, disse.

Disparidade nas taxas municipais e índices críticos

Enquanto algumas localidades superam a marca de 100% devido a flutuações populacionais ou atendimento de moradores de fora, outras enfrentam realidades alarmantes. Em 2026, as piores coberturas foram encontradas em Aloândia (37,5%), Jaupaci (38,1%), Ipiranga de Goiás (40%), Santa Tereza de Goiás (40%) e Portelândia (50%). No extremo oposto, Buriti de Goiás liderou com 222,22%, seguido por Santa Rita do Novo Destino (220%), Mairipotaba (200%), Israelândia (185,71%) e Anhanguera (175%).

Vigilância para evitar a reintrodução do vírus

O Brasil não diagnostica casos de pólio por vírus selvagem desde 1989, mas a enfermidade continua endêmica em nações como Afeganistão e Paquistão. Para Cristina Laval, a movimentação global de pessoas mantém o alerta constante: “E o vírus estando circulando de forma endêmica nesses países, o risco de voltar a circular em qualquer outro país é muito grande, devido à grande circulação de pessoas que nós temos hoje no mundo”.

Mudanças no calendário e busca ativa

O esquema de proteção passou por alterações recentes, substituindo a versão oral (gotinha) pela vacina inativada (VIP) em injeções, incluindo um segundo reforço aos quatro anos. Paralelamente, a SES-GO monitora a paralisia flácida aguda. Até o momento da coleta de dados em 2026, apenas seis notificações haviam sido computadas, exigindo uma busca ativa em prontuários hospitalares prevista para novembro.

“Além da gente estar olhando daqui para frente, com relação ao possível surgimento de algum caso suspeito, a gente também vai buscar, através de prontuários de unidades de saúde hospitalares, se houve ou não pessoas que internaram com paralisia flácida aguda”, concluiu a superintendente.

Deixe um comentário