Secretário de segurança de Barra do Corda é afastado após áudios contra o PT

O sargento James Mota da Silva foi desligado do cargo de secretário municipal de Segurança de Barra do Corda, no Maranhão, e também afastado de suas funções na Polícia Militar. A medida foi tomada após a repercussão de gravações de áudio atribuídas a ele, nas quais incita a prisão de simpatizantes do Partido dos Trabalhadores.

Conteúdo das gravações e intimidação

Nos arquivos compartilhados nas redes sociais, o então titular da pasta classifica integrantes do partido como inimigos da polícia e sugere detenções com o objetivo de gerar temor em outros eleitores. Em um dos trechos que circularam, ele incentiva colegas de corporação:

“Bora botar esses petistas no lugar deles. Bora prender. O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história, eles vão ficar com medo. Tem a forma de prender legalmente. Bora prender quem tiver que prender, esses vagabundos”, diz o áudio.

Em outra mensagem, o sargento relata confrontos durante o primeiro turno das eleições e cobra uma postura mais ativa dos agentes de segurança na região:

“No primeiro turno tinha uns petistas dando santinho do Lula lá na frente do Dom Marcelino, na frente de outras escolas, e eu fui pra cima de alguns. Bora ficar só dentro de casa também não. Só reclamando, só colocando culpa em Alexandre de Moraes, em Lula. Bora pra cima, meu filho”, afirma.

Reação das autoridades estaduais

Diante da gravidade da situação, o prefeito Rigo Teles determinou o afastamento do secretário. O governador do estado, Carlos Brandão, utilizou as redes sociais para se manifestar sobre o caso e exigir rigor nas apurações:

“Atenção 🚨 Determinei o afastamento do sargento James Mota da Silva (cedido à Prefeitura de Barra do Corda, onde atua como secretário municipal de Segurança) e a investigação sobre suas graves declarações. Qualquer tentativa de intimidar eleitores ou interferir na liberdade do voto é inaceitável e atenta contra a democracia e as liberdades individuais. Essa posição independe de ideologia política e vale para todos, de QUALQUER LADO. Reitero que a fiscalização nos locais de votação deve ser realizada com responsabilidade pelas forças de segurança e pela Justiça Eleitoral.”

Ações judiciais e justificativa da defesa

O Tribunal Regional Eleitoral acionou a Polícia Federal para investigar o episódio. Paralelamente, a Federação Brasil da Esperança protocolou uma notícia-crime junto ao Ministério Público Eleitoral contra o sargento.

Em nota oficial, James Mota da Silva reconheceu a autoria das mensagens, mas argumentou que o material fazia parte de uma brincadeira enviada exclusivamente a um grupo fechado de policiais militares:

“Nesse grupo, são comuns brincadeiras, comentários e provocações de cunho político, inclusive com a participação de policiais que são eleitores do PT. É uma forma de interação que já faz parte da convivência entre os integrantes, que possuem diferentes posicionamentos políticos”, diz um trecho da nota.

O caso segue sob escrutínio das autoridades policiais e eleitorais para determinar as responsabilidades penais e administrativas decorrentes da conduta do ex-secretário.

Deixe um comentário