Mesmo com visões políticas totalmente opostas, o porteiro James da Silva, de 45 anos, e o garçom Anselmo de Souza, de 46, mantiveram a tradição de votar juntos no segundo turno das eleições presidenciais. Amigos desde a infância, eles compareceram neste domingo (25) ao CIEP Presidente Tancredo Neves, situado no bairro do Catete, na zona sul do Rio de Janeiro. Enquanto James votou no candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Anselmo optou por apoiar Jair Bolsonaro (PL).
Laços de infância na comunidade Cerro Corá
Nascidos e criados juntos na comunidade Cerro Corá, localizada no Cosme Velho, a dupla atualmente reside em bairros distantes — James mora em Inhaúma e Anselmo vive no Riachuelo. Contudo, ambos decidiram manter seus locais de votação na região tradicional do Largo do Machado, aproveitando a ocasião eleitoral para rever antigos conhecidos e resgatar memórias da juventude. Somos amigos desde criança, nossas famílias sempre se gostaram muito. Na verdade, nos consideramos irmãos, relatou James.
Respeito mútuo diante da polarização
Para o porteiro, a harmonia da relação baseia-se na tolerância mútua, sem permitir que divergências ideológicas afetem a convivência de longa data. Vivemos a nossa amizade um dia após o outro, sempre mantendo o respeito pelas nossas escolhas. Não misturamos amizade com política, religião ou futebol. Todos têm o direito de escolha, pontuou James. O eleitor petista destacou que seu voto é pautado na proteção dos direitos trabalhistas, de minorias e na manutenção de políticas sociais, mencionando a luta contra o racismo, a homofobia e a transfobia.
Visão alinhada sobre a convivência democrática
Do outro lado, Anselmo compartilha da mesma perspectiva de que opiniões distintas não justificam desentendimentos na esfera pessoal. As pessoas têm direito a escolher o time de futebol, a religião, o partido político. Não brigo com isso, argumentou o garçom.
Diante do cenário de forte divisão nacional, James avalia que a cumplicidade entre os dois pode servir de inspiração para a sociedade. Que possamos servir de exemplo de união e respeito, numa época em que a política, a religião, entre outros temas, têm causado separação, concluiu.