Diante de denúncias sobre a escassez de ônibus nas ruas de São Paulo e Salvador durante o segundo turno das eleições, cidadãos se uniram nas plataformas digitais para viabilizar o deslocamento de eleitores até os locais de votação. A articulação incluiu a criação de grupos de mensagens instantâneas voltados especificamente para coordenar motoristas voluntários e passageiros afetados pelo problema.
Mobilização cidadã na capital baiana
Na capital da Bahia, o publicitário Moíses de Sá decidiu agir por conta própria ao deparar-se com terminais de transporte abarrotados e a impossibilidade de ingressar em um grupo pré-existente por limite de lotação, criando uma nova rede de apoio.
Conforme relatou o idealizador da iniciativa, o grupo expandiu-se rapidamente e passou a atuar de forma direta nos principais terminais da cidade. — Já temos mais de 400 pessoas. Todas estão mobilizadas nas principais estações de transporte de Salvador. Passamos por diversas estações e aí a gente pergunta para as pessoas se elas já votaram, se estão precisando de um transporte — explicou o publicitário, detalhando que sua equipe já prestou auxílio a diversos cidadãos.
Além da condução em veículos particulares, a rede de solidariedade incorporou formas alternativas de colaboração financeira e logística. — Tem uma galera que não tem carro, mas tá ajudando com Pix para gasolina, tem quem esteja pedindo Uber no seu próprio aplicativo — completou Moíses de Sá.
Ações e repercussão em São Paulo
Na capital paulista, o cenário de dificuldades no transporte público também motivou reações semelhantes entre os moradores, que utilizaram as redes sociais para ofertar assentos em carros próprios e prestar assistência a quem necessitava votar.
Manifestações públicas de auxílio multiplicaram-se na internet, a exemplo de publicações que colocavam núcleos familiares inteiros à disposição da comunidade local para garantir o exercício da cidadania.
Intervenções da justiça e autoridades
O panorama crítico do transporte público gerou desdobramentos judiciais severos em ambas as capitais. Na Bahia, o Tribunal Regional Eleitoral determinou a prisão do secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, após a constatação de que cerca de 75 coletivos foram impedidos de deixar as garagens sob a justificativa de portarem adesivos de campanha. Já em São Paulo, a Justiça Eleitoral exigiu explicações imediatas da prefeitura e da SPTrans frente à acusação de circulação reduzida da frota municipal.