O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, no domingo (25), que vai solicitar à Justiça a invalidação das eleições presidenciais. A manifestação ocorreu logo após a confirmação da reeleição de Lula da Silva (PT), em decorrência de uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu o horário de votação até as 19h.
Críticas à decisão judicial e falta de reconhecimento
O parlamentar alegou que a medida comprometeu a igualdade de condições entre os eleitores e configurou uma alteração nas regras durante o andamento do pleito. “O que aconteceu no dia de hoje não foi algo normal. Foi algo inaceitável. Pela primeira vez na história um ministro do STF dá uma canetada e muda a regra do jogo”, declarou. O senador acrescentou: “As eleições deveriam ter sido anuladas. É impossível reconhecer o resultado”.
Posição oficial e desafios tecnológicos do TSE
Em sentido oposto, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), defendeu a integridade da apuração. “Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral”, assegurou o magistrado durante pronunciamento oficial.
O chefe do TSE explicou que, quando a determinação de Zanin foi divulgada, milhares de urnas já haviam encerrado a recepção de votos. Como os aparelhos não podiam ser reabertos, o tribunal bloqueou temporariamente os boletins de urna para evitar vazamentos antecipados de dados.
Contradição nos pedidos de extensão de horário
A contestação do senador surge mesmo após sua própria equipe jurídica ter protocolado um pedido semelhante no domingo, solicitando a ampliação do funcionamento das seções em cidades de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina devido aos impactos de temporais.
Apesar disso, o candidato derrotado argumentou que a forma como a prorrogação foi aplicada gerou desigualdade regional. “Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diferentes estados. Eu nunca vou saber em estados que as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, pontuou.
A reeleição de Lula foi matematicamente confirmada às 21h08, com 51,74% dos votos válidos contra 48,26% do adversário, consolidando o quarto mandato presidencial da trajetória do petista.