Após a conclusão da apuração do segundo turno, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, declarou neste domingo, 25, que a instituição tem plena confiança na lisura do pleito que garantiu a reeleição do presidente Lula da Silva (PT). A votação foi marcada por uma alteração de última hora determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Desafios tecnológicos e prorrogação do horário
A extensão do período de votação até as 19h foi ordenada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, atendendo a um pedido de urgência da coligação petista devido a falhas no transporte público em algumas regiões. Como a ordem judicial chegou após as 17h, diversas urnas já haviam encerrado as atividades, e a programação dos dispositivos impedia a reabertura para novos votos.
Para impedir que os dados fossem divulgados antes do fim da votação em todo o país, a equipe técnica precisou agir rapidamente. “Como a decisão foi proferida após as 17h, milhares de urnas no Brasil já estavam encerradas e a sua programação impede a reabertura. Tivemos que promover o bloqueio do recebimento dos Boletins de Urna a fim de assegurar absoluta segurança que as informações nele constantes não fossem de conhecimento nem do próprio TSE”, explicou o ministro.
Garantia da integridade eleitoral
O magistrado ressaltou que a medida inédita exigiu esforço redobrado da estrutura tecnológica da Justiça Eleitoral, dado o curto espaço de tempo entre a ordem judicial e sua execução prática. “Não seria possível em poucas horas construir um juízo de certeza de que nenhum efeito colateral, especialmente no aspecto tecnológico, advindo de uma decisão judicial, viesse a impactar significativamente a apuração”, pontuou.
Apesar das críticas pontuais ao planejamento de mudanças de horário em cima da hora, o chefe do TSE elogiou o empenho dos profissionais envolvidos e reiterou a credibilidade do sistema. “Nenhuma crítica a nenhuma decisão judicial […] prorrogar uma eleição é possível, mas ela tem que ser pensada, ela tem que ser calculada e estruturada. Hoje estamos felizes e orgulhosos da nossa equipe técnica que detectou eventuais problemas”, declarou.
Confirmação do resultado e cumprimentos
Com 99,9% dos votos apurados e mais de 64 milhões de votos nominais, o TSE confirmou que Lula da Silva conquistou seu quarto mandato presidencial, derrotando Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno após reverter a desvantagem inicial da disputa.
“Há poucos instantes, a Justiça Eleitoral alcançou resultado que matematicamente define os eleitos para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República. Com 99,9% dos votos válidos e votação nominal de mais de 64 milhões de votos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito e será o 40º Presidente da República Federativa do Brasil, para o mandato que se iniciará em 5 de janeiro de 2027”, anunciou.
O presidente do TSE também relatou ter conversado por telefone com ambos os concorrentes ao término do pleito. Ao dialogar com o vencedor, lembrou sua trajetória de oito eleições presidenciais disputadas. O desempenho do adversário também foi reconhecido publicamente pelo magistrado. “Ao candidato Flávio Bolsonaro, que pela primeira vez disputou a eleição presidencial e conquistou votação expressiva, parabenizo pela campanha”, declarou.
Encerrado o processo de apuração, a cúpula da Justiça Eleitoral reafirmou o compromisso com a democracia e a robustez das ferramentas tecnológicas utilizadas no país.