Painel modernista de Maria Guilhermina corre risco de ruir em Goiânia

Um valioso painel modernista assinado por Maria Guilhermina em 1962 resiste na parede de um estacionamento no Centro de Goiânia, cercado por entulho, folhas secas e partes de uma estrutura metálica que encobre a composição. Embora as formas em azul profundo, branco, amarelo, preto e vermelho mantenham a elegância, a alvenaria exposta ao redor e a falta de manutenção colocam a obra em risco iminente de degradação.

História e relevância cultural

Datada de 1964, a assinatura e a data no canto inferior revelam a importância histórica da peça, criada no período em que a capital goiana buscava consolidar sua vida cultural. Mestre das artes visuais, Maria Guilhermina foi pintora, escultora e professora, tendo papel fundamental na fundação do Instituto de Belas Artes, que posteriormente deu origem à atual Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (UFG), formando gerações de artistas.

A residência original e o resgate da obra

A criação artística nasceu para integrar a arquitetura de uma residência construída entre 1959 e 1963 pelo casal Erasto de Araújo Borges e Inah Monteiro Borges, na esquina das ruas 16 e 29. Grandes apreciadores de arte, eles encomendaram a Maria Guilhermina o painel da fachada — reproduzido em cerâmica em São Paulo —, além de elementos internos como mármores, vidros pintados à mão e jardins planejados.

O destino após a demolição

Após o falecimento dos proprietários, o casarão foi vendido e demolido para dar lugar a um estacionamento, fazendo com que o painel fosse isolado de seu contexto arquitetônico original. Especialistas apontam que a necessidade de avaliação técnica presencial é urgente devido aos danos visíveis no revestimento, exigindo que órgãos de patrimônio e a Secretaria Municipal de Cultura tomem providências imediatas para vistoriar, diagnosticar e estabelecer prazos de conservação para salvar a obra histórica antes que seja tarde demais.

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